Úlceras de córnea podem afetar temporária ou permanentemente a visão dos animais

As lesões podem ser leves e quadros graves exigem cirurgia, alerta Aline Bolzan

 26/01/2026 - Publicado há 4 meses
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Cadela recebendo carinho, com brilho rosa na testa
A córnea é formada basicamente por colágeno e, nas úlceras mais severas, essa substância pode ser degradada de forma acelerada – Foto: pixexid- Pixabay
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As úlceras de córnea são lesões que podem atingir tanto animais domésticos, como cães e gatos, quanto animais de grande porte, como equinos e bovinos. De acordo com a oftalmologista veterinária Aline Bolzan, professora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, essas lesões afetam a parte transparente do olho, a córnea, e também podem ocorrer em pessoas.

Aline Bolzan – Foto: FMVZ

Segundo a especialista, “as úlceras podem variar em gravidade. Em casos mais leves, são pequenas e superficiais, mas em situações mais graves podem se contaminar, desenvolvendo infecções secundárias causadas por bactérias e fungos presentes na própria superfície do olho, na pele ou nos cílios ao redor. Com isso, a lesão pode se aprofundar progressivamente”.

A córnea é formada basicamente por colágeno e, nas úlceras mais severas, essa substância pode ser degradada de forma acelerada, levando à destruição do tecido. Esse processo pode resultar em perfuração do olho, uma condição grave que pode causar cegueira. Apesar desse risco, nem toda úlcera de córnea evolui para a perda definitiva da visão. Durante a lesão, a córnea pode perder a transparência, ficando mais opaca ou azulada, o que provoca uma redução temporária da visão. Com a cicatrização, a transparência pode ser restabelecida e a visão recuperada.

Tratamento

O tratamento deve sempre ser indicado por um profissional especializado. Nos casos mais leves e superficiais, o uso de colírios específicos, prescritos por um oftalmologista veterinário, costuma ser suficiente. Já nas lesões mais profundas, contaminadas ou com perfuração, muitas vezes é necessário recorrer a procedimentos cirúrgicos. As cirurgias geralmente consistem em técnicas de recobrimento da lesão, que podem envolver o uso de membranas suturadas com auxílio de microscópio, entre outras abordagens, escolhidas de acordo com a gravidade do caso.

A oftalmologista relata ainda o caso de um animal que recuperou a visão após o uso de lentes de contato. “O animal apresentava uma úlcera grave e teve a visão temporariamente comprometida devido à dor, à opacidade da córnea e ao lacrimejamento intenso. No entanto, não se tratava de cegueira permanente.”

Em algumas situações, mesmo quando a cirurgia é o tratamento mais indicado ela não pode ser realizada, seja por limitações clínicas do animal, que não pode ser anestesiado naquele momento, ou por restrições dos tutores. Nesses casos, são adotadas alternativas terapêuticas, ainda que não sejam as mais ideais.

No caso citado, apesar de o tratamento não ter sido o mais adequado para a gravidade da lesão, a evolução foi favorável. A córnea cicatrizou, recuperou a transparência e o animal voltou a enxergar. A especialista ressalta que “não se trata de um tratamento milagroso para cegueira, mas de uma alternativa possível em situações específicas. O uso de lentes de contato não é uma prática recente. Elas já são utilizadas há algum tempo tanto na medicina humana quanto na veterinária como uma opção auxiliar no tratamento de determinadas úlceras de córnea”.


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