Projeto Inova Sênior pretende reintegrar engenheiros 60+ ao mercado de trabalho

O projeto, criado por egressos da Escola Politécnica da USP e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), é um convite a olhar para a longevidade não como um peso

 20/08/2025 - Publicado há 7 meses     Atualizado: 26/08/2025 às 14:22
A ideia surgiu visando a aproveitar o bônus de experiência da população, que vem envelhecendo – Fotomontagem com – Foto: Freepik e Foto: Freepik

 

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O projeto Inova Sênior foi desenvolvido por ex-alunos da Escola Politécnica da USP e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e tem o objetivo de reconectar engenheiros com mais de 60 anos ao mercado de trabalho, através da tecnologia e inovação. O ambicioso projeto une inteligência artificial, governança ambiental, social e corporativa para valorizar o capital intelectual brasileiro de uma parte da população que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representará cerca de 37,8% dos cidadãos brasileiros em 2070 e é muitas vezes tratada como dispensável pelo etarismo.

Como nasceu a ideia

O diretor da PoliAlumni (plataforma de ex-alunos da Escola Politécnica), Duperron Ribeiro, explica que a ideia surgiu visando a aproveitar o bônus de experiência da população, que vem envelhecendo, de acordo com os estudos demográficos do IBGE. “Temos um bônus de longevidade e, segundo alguns autores, como Peter Diamandis, as pessoas com mais de 60 anos têm a possibilidade de trabalhar mais de 30 anos ainda. A gente nunca teve tantas pessoas com experiência, saúde e disposição para continuar contribuindo. O Inova Sênior veio para aproveitar essa energia toda. De um lado, combatemos esse desperdício de conhecimento e também o isolamento das pessoas, que causam uma série de problemas psicológicos.”

Além disso, o Brasil possui uma enorme falta de engenheiros, que pode ser suprida por esses profissionais com grande experiência e que estão prontos para contribuir. “Estamos numa fase exponencial da tecnologia e da evolução. Se não tivermos engenheiros para acompanhar esse processo, o Brasil pode ficar muito para trás. É assim que surgiu a ideia”, comenta Duperron.

Como vai funcionar a reintegração

Um dos pontos positivos do Inova Sênior é que os profissionais, que já possuem uma grande bagagem, com muita experiência técnica, não precisam de uma nova formação, mas apenas de atualizações pontuais e uma conexão com os desafios atuais, para serem reintegrados ao mercado de trabalho, utilizando inclusive inteligência artificial para fazer esse match marketing.

Duperron Ribeiro – Foto: PhDsoft

“É como se fosse uma ponte: de um lado, os engenheiros com muita experiência e vontade de ajudar, do outro, empresas, governo, universidades, startups, todo mundo que enfrenta desafios concretos. A ideia é que essas pessoas possam encontrar tanto empresas que necessitem das suas habilidades quanto formarem empresas novas. Inclusive, empresas novas de tecnologias para fazerem inovação. Conectar as pontas por meio de uma plataforma digital, inteligência artificial e eventos presenciais, para que acessem recursos de pesquisa, desenvolvimento e inovação e se envolvam, se atualizem em novas tecnologias, encontrem parceiros para empreender e juntos façam novas empresas”, explica Duperron.

Além disso, o Brasil não precisaria se preocupar com a fuga de cérebros, já que esses trabalhadores não possuem interesse de deixar o País, mas sim contribuir para seu desenvolvimento. O projeto também conseguiria colocar profissionais imediatamente no mercado, o que as escolas demorariam cerca de 14 anos para fazer.

Metas iniciais, futuras e lançamento

O projeto conta com, inicialmente, 200 engenheiros da Poli e do ITA, mas, segundo Duperron, isso se tornará um movimento que crescerá muito rapidamente. A ideia é expandir o projeto para além das duas escolas iniciais e levar para toda a engenharia do País.

O lançamento do Inova Sênior acontecerá nesta sexta-feira, dia 22, na Maturifest, o maior evento da América Latina sobre trabalho, empreendedorismo e longevidade 50+. Duperron finaliza dizendo: “O futuro também se constrói valorizando a experiência. Quando incluímos os engenheiros de 60+, ajudamos a combater o isolamento, a depressão e, acima de tudo, trazemos de volta ao mercado essas mentes brilhantes, cheias de repertório e de humanidade. É um convite a olhar para a longevidade não como um peso”.


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