Muitos gostam de ler livros. Mas há também aqueles que preferem “ouvir” um livro. E é justamente sobre os audiolivros que a professora Marisa Midori falou em sua coluna desta semana. “Eu já ouvi alguns livros. Mas confesso que a relação entre livro e escuta é muito complicada, porque eu preciso gostar da voz, do tipo de entonação, enfim, acho que o ouvinte tem que criar uma identificação com o leitor. Mais ou menos como acontece no rádio”, inicia a colunista. “Os audiolivros estão na moda, tanto quanto os podcasts. Na verdade, há gravações que são recortes de livros, adaptações, não raro comentadas por leitores famosos e engajados, o que demonstra as possibilidades de hibridismo entre as duas propostas”, explica. “E para os leitores – e ouvintes – que desejam aprender mais ou que desejam se iniciar nesse gênero editorial tão em voga quanto os audiolivros, eu indico o excelente livro de Rafael Barbosa, Audiolivros e Edição, que acaba de ser publicado pela Editora Com-Arte”, indica a professora.
O audiolivro é particularmente interessante para aquelas pessoas que vivem nas grandes cidades e levam muito tempo no trânsito. E é, segundo Marisa Midori, também um importante instrumento para aqueles que, por alguma razão, não podem ler. “É por isso que o mercado de audiolivro vem em franco crescimento como demonstram os dados publicados pela Bookwire para os anos de 2023 e 2024. E o carro-chefe do audiolivro é a ficção”, afirma a colunista. “Eu acredito que é nesse ponto que ele se diferencia dos livros digitais. Embora a ficção tenha espaço garantido nos digitais, tem-se a percepção, quando se observa o comportamento do mercado, que as obras de não ficção – e, nelas, os livros científicos – entram com muita força no universo dos e-books”, explica a professora. “Mas o livro do Rafael Cardoso, embora não ignore a dimensão mercadológica, o que faz com muita competência, aliás, ao apresentar dados do mercado anglófono em comparação com o brasileiro, desvenda o que é o audiolivro, suas diferentes modalidades, sua relação com a editoração, a construção dos sentidos por meio do trabalho de edição dos textos”, discorre ela. “Enfim, é um trabalho que traz um passo a passo desse universo de leitura e escuta. Podemos protestar e dizer: mas audiolivro não é suporte de leitura. Certo, mas é um convite, talvez, para a leitura”, finaliza Marisa Midori.
Bibliomania
A coluna Bibliomania, com a professora Marisa Midori, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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