
O Brasil apresenta um aumento nas produções físicas na indústria, com destaque para o setor de veículos automotores, reboques e carrocerias, com avanço de 12,9%. É o que informa o Boletim de Conjuntura Industrial – Edição 35, produzido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. O relatório ainda indica estabilidade no emprego industrial, crescimento relativo das horas trabalhadas e utilização de capacidade instalada próxima do limite superior. Carlos Vian, professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq, comenta os principais pontos do Boletim de Conjuntura Industrial.
Expectativa do empresariado
No início de abril, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou uma política de tarifas de pelo menos 10% em todos os países, com taxas maiores para 60 países, como a China, que foi atingida com valor de 145%. Poucos dias depois, o governante voltou atrás na decisão e interrompeu por 90 dias as tarifas para os territórios que não retaliaram a ação.

Para Vian, que também é um dos autores do relatório da Esalq, a geopolítica internacional traz incerteza para o campo industrial e econômico. “Se a gente pegar o mais geral, que é o Boletim Focus, ele mostrou aí uma deterioração de expectativas no sentido de que se espera uma inflação um pouco maior, está se esperando manutenção da taxa de juros.” Ele também cita o Índice de Expectativa Industrial (IEI) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que demonstra que algumas áreas estão dentro da “área de expectativas positivas, mas muito próximas do limite”.
O professor avalia que, embora o Brasil tenha ocasiões favoráveis diante dessa crise, existem riscos em relação às exportações e ao impacto que a tarifação da China pode ter na concorrência do aço chinês com o brasileiro. “Nós temos uma oportunidade importante, que seria de suprir uma parte pelo menos desse metal que a China exporta para os Estados Unidos. Mas, por outro lado, corremos esse risco de aço chinês entrando no Brasil. Então a gente não sabe como é que o mercado vai se comportar”, explica.
Corrida eleitoral
Segundo Carlos Vian, o governo não conseguiu implementar políticas adequadas no âmbito fiscal, o que colabora para o processo inflacionário. Por outro lado, ele relata que o Banco Central aumentou a taxa de juros, fato que coloca o empresário no limite da capacidade instalada.
O professor avalia que esse fator econômico antecipa as especulações sobre candidatos e propostas para as eleições do ano que vem. “A gente tem um envolvimento e a interferência de aspectos políticos. Por exemplo, uma das diretrizes da nova política Brasil estava relacionada com um incentivo à indústria de defesa, que era de talvez trazer de volta uma capacitação que o País teve até o final da década de 1980 na produção de equipamentos militares.” Para Vian, a proposta se torna inviável, pois existem discussões – inclusive com a ala militar do governo — sobre a condução e determinação das verbas. “Então todos esses impactos em relação à política, à condição de estrutura e também a essa corrida eleitoral colocam a gente em um ciclo vicioso que não acaba saindo do lugar”, finaliza.
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