Hoje (15), na coluna Ciência e Esporte, o professor Bruno Bedo aborda como demandas cognitivas influenciam o risco de lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) em atletas. Apesar dos avanços no entendimento das lesões do LCA, sua frequência permanece alta, especialmente em esportes de contato. Estudos recentes sugerem que tarefas cognitivamente complexas podem aumentar o risco de lesões, afetando o controle neuromuscular e a estabilidade do joelho.
Ao realizar movimentos sob pressão ou em ambientes imprevisíveis, o sistema neuromuscular é submetido a uma carga cognitiva aumentada, o que pode comprometer o controle motor. Em situações que exigem respostas rápidas, o tempo entre o estímulo visual e a resposta motora se torna um fator crítico e atrasos nesse tempo elevam o risco de movimentos inadequados, que podem sobrecarregar o ligamento cruzado anterior (LCA). Além disso, em atividades complexas, aumenta a probabilidade de surgirem ângulos de flexão e abdução do joelho desfavoráveis, o que eleva ainda mais o risco de lesão do LCA.
Essa relação pode ser usada em programas de prevenção de lesões ao introduzir tarefas de dupla demanda, como realizar saltos enquanto conta números, e pode ser útil para identificar atletas em risco ao exigir atenção dividida. Treinamentos que incorporam incertezas, como mudanças repentinas de direção em resposta a sinais, preparam o sistema neuromuscular para situações imprevisíveis em competições reais. Além disso, exercícios que desafiam a memória de trabalho e a antecipação contribuem para aprimorar o controle motor em cenários complexos, fortalecendo a capacidade de prevenir lesões do ligamento cruzado anterior (LCA).
Ciência e Esporte
A coluna Ciência e Esporte, com o professor Bruno Bedo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.
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