Gramado artificial e risco de lesões: o que diz a ciência?

Decisões sobre o tipo de gramado devem ser baseadas em evidências, não apenas em preferências pessoais

 28/02/2025 - Publicado há 1 ano

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Na coluna de hoje, discutimos um tema importante: os gramados artificiais aumentam ou não o risco de lesões no futebol? Uma recente revisão publicada na revista Clinical Medicine, do grupo The Lancet, comparou dados de 22 estudos sobre lesões em gramados naturais e artificiais. Vamos aos principais pontos dessa pesquisa:
O gramado artificial aumenta a incidência de lesões no futebol? Jogadores profissionais tiveram 21% menos lesões em gramado artificial.
No geral, não houve aumento nas lesões em gramados artificiais, inclusive foram relatadas menos lesões no quadril, coxa e joelho. Em amadores e jovens, também não houve aumento significativo de lesões entre os tipos de gramado.
Por que existe essa percepção de que gramados artificiais são mais perigosos?
Muitos jogadores gostam mais da sensação do gramado natural; Lesões graves em grama sintética ganham mais repercussão; As primeiras versões de gramado artificial eram mais rígidas e perigosas, mas a tecnologia evoluiu.
A ciência é clara: gramados artificiais não aumentam o risco de lesões e podem até reduzi-lo. No entanto, muitos estudos anteriores não controlaram variáveis como histórico de lesões, clima e tipo de chuteira, o que pode gerar percepções distorcidas. Decisões sobre o tipo de gramado devem ser baseadas em evidências, não apenas em preferências pessoais.


Ciência e Esporte
A coluna Ciência e Esporte, com o professor Bruno Bedo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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