A moda da vez é gravar vídeo no celular, captando a imagem na vertical, não mais na horizontal, o que, para Luli Radfahrer, não é nada mais do que pura preguiça, “já que você pode simplesmente virar a sua câmera e sair filmando na horizontal como era qualquer câmera. Mas por comodidade ou pelo uso do telefone, esse tipo de mídia social (TikTok) realmente estimula e às vezes até força as pessoas a gravarem em vídeo na vertical […] o campo visual é largo e raso, não tem porque você colocar na vertical, então um monte de gente está forçando, está adaptando as mensagens para caber na vertical, sendo que é pouco natural, sendo que o seu olho está preparado para ver na horizontal”, argumenta ele. “O mais louco é você ver que tem gente hoje que vê filmes inteiros pirateados no TikTok.”
“O jeito que muita gente faz, que é filmar com a câmera de selfie do telefone, é muito claustrofóbico, porque eu tenho uma pessoa com uma cara enorme enfiada na minha cara, berrando para mim. Se você quer filmar em vertical, minha sugestão é: fixe seu telefone em algum lugar – um sofá, uma cadeira, uma almofada -, se afaste uns dois ou três metros e de repente o espaço apareceu. Você tem espaço para se locomover e você consegue me ver, mas você vai perceber que vai sobrar céu e vai faltar chão, ou seja, tem muito espaço em cima, tem muito espaço embaixo e continua não tendo espaço do lado.” Até no noticiário jornalístico, segundo Radfahrer, essa influência de filmar na vertical já se faz notar. “Cada vez mais o jornalismo tem que se virar para colocar os vídeos, porque a pessoa captou aquele vídeo com um telefone na vertical e você está mostrando na televisão na horizontal. E aí ele dá aquela ‘borradinha’ do lado, ele dá aquele jeito – provavelmente, daqui a pouco, a gente vai ter algumas pequenas televisões já feitas no formato quadrado do Instagram ou vertical do TikTok.”
Datacracia
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP Jornal da USP e TV USP.
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