
Foi recentemente formado o Grupo de Pesquisa Equidade e Eficiência das Tecnologias de Oncologia de Precisão do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. A professora Patrícia Coelho de Soárez, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, que também coordena esse grupo de pesquisa, diz que, para ela, “o objetivo principal do grupo é constituir um espaço de comunicação entre a comunidade científica e a sociedade para promover discussões em torno das contribuições potenciais que a medicina de precisão pode trazer para o sistema de saúde”.

A criação do grupo partiu da demanda de uma comunicação mais abrangente entre as áreas de estudo. A ideia é agregar diversos campos do conhecimento, além de superar as fronteiras da universidade: “Além dos docentes da USP, nesse novo grupo nós contamos com a participação de pesquisadores de instituições internacionais”. Dos que integram o grupo, vale mencionar membros da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), membros que participaram da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer e também representantes da Associação de Pacientes.
Uma abordagem revolucionária
A medicina de precisão é uma abordagem inovadora e que promete uma eficácia muito maior do que os métodos tradicionais. Podendo ser chamada também de medicina genômica, ela pretende tratar a doença levando em consideração características específicas do paciente. Por exemplo, são levantadas questões como gênero, ambiente, genética e estilo de vida.
Assim, o tratamento não é só uma repetição de uma tabela de procedimentos, mas uma análise personalizada para entender como a doença – no caso o câncer – age sobre aquele paciente especificamente. “As terapias que anteriormente eram desenvolvidas com base em médias populacionais, nas quais os pacientes recebiam tratamentos padronizados, agora são adaptadas às características individuais de cada paciente”, afirma Patrícia Soárez.
Ela explica com mais profundidade a questão: “Antes, as terapias contra o câncer eram desenvolvidas com base no tipo e na localização do tumor. Por exemplo, câncer de mama, câncer de pulmão, câncer de próstata; agora, elas são direcionadas às alterações genéticas específicas do tumor, independentemente da sua localização no corpo”.
Acesso a todos
Segundo a médica, “a medicina de precisão no Brasil tem avançado, mas enfrenta desafios principalmente em termos de infraestrutura, capacitação profissional, desigualdade de acesso e os custos dessas novas tecnologias”. Por ser um método muito mais especializado, requer com isso um acompanhamento mais aprofundado do paciente, o que implica maiores gastos e mais capacitação técnica. Hoje, esse tipo de tratamento ainda está restrito somente nos grandes centros urbanos e em particular nos grandes hospitais privados, sendo um acesso bem limitado.
Com tantas coisas para se trabalhar, Patrícia fala em uma abordagem “multifacetada” para tornar esse tratamento viável no SUS. “O futuro dessa medicina dependerá de política pública efetiva, de investimento em pesquisa e inovação, e uma capacidade de ampliar esse acesso a essas tecnologias”, diz ela. E é aí que o investimento em ciência vai se traduzir em benefício direto para a população: “É essencial ter uma infraestrutura robusta de testes genéticos e moleculares, bons laboratórios e bons centros de diagnóstico”.
Isso tudo para que, caso a medicina de precisão venha a se confirmar como o melhor tratamento possível, que não seja privilégio de alguns poucos. A professora diz que nesse campo “equidade tem sido uma grande preocupação” também, no sentido que essa técnica de cura venha para agregar à saúde, e não reforçar a desigualdade.
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