O médico e bioquímico israelense Aaron Ciechanover falou, no dia 9 de agosto, para uma plateia de 300 pesquisadores no auditório do Instituto de Radiologia (InRad).
Juntamente com os pesquisadores Avram Hershko, seu colega no Instituto de Tecnologia de Israel (Technion), e Irwin Rose (Universidade da Califórnia, EUA), Ciechanover foi um dos responsáveis pela descoberta do processo de decomposição de proteínas mediado pela ubiquitina. Esse é um dos mais importantes fenômenos cíclicos das células, fundamental em processos como a divisão celular, a reparação do DNA ou o aparecimento do câncer. Ao longo dos anos, a descoberta desse processo se tornou uma plataforma importante para o desenvolvimento de novos medicamentos. Os cientistas foram premiados, em 2004, com o Prêmio Nobel na área de Química.
“Esta palestra, supostamente, deveria ser uma inspiração para jovens pesquisadores, mas é uma inspiração para todos os pesquisadores, inclusive eu mesmo. Estou muito feliz porque, além de todos esses rostos jovens, há também muitos rostos conhecidos aqui”, disse o reitor Marco Antonio Zago.
Promovido em parceria com o Nobel Media e a empresa farmacêutica Astra Zeneca, o evento faz parte do Nobel Prize Inspiration Initiative (NPII), um programa global que leva premiados com o Nobel para universidades e centros de pesquisas, a fim de inspirar e envolver jovens cientistas, a comunidade científica e o público. Para o pró-reitor de Pesquisa, José Eduardo Krieger, “a interação direta com grandes expressões da pesquisa internacional faz parte da formação de jovens pesquisadores e estimula o ambiente universitário e as grandes conquistas”.
Falando sobre sua pesquisa, Ciechanover brincou dizendo que “foi mais ou menos como na história de Moisés, só que, ao bater com o cajado na rocha, nós acabamos liberando um Rio Amazonas”. Ele explicou como uma descoberta pode gerar conhecimento, ser o ponto de partida para outras pesquisas e levar ao desenvolvimento de novas drogas que beneficiarão inúmeras pessoas.
“Esse é um bom exemplo de como a pesquisa de base se origina da curiosidade, porque inicialmente a descoberta não tinha nada a ver com a pesquisa de doenças ou o desenvolvimento de novos remédios. Se os países querem ser bem-sucedidos em pesquisa, esse é o caminho a seguir. Eles não devem priorizar o financiamento de pesquisas específicas ou pesquisas aplicadas, mas sim detectar e apoiar os bons pesquisadores e as boas pesquisas. Há uma colaboração tradicional em que as universidades desenvolvem a pesquisa fundamental e as companhias farmacêuticas, por exemplo, fazem o resto. Essa divisão de trabalho deve ser mantida, porque, se as universidades decidirem se transformar em uma indústria farmacêutica, estaremos perdidos”, defendeu o laureado (a íntegra da palestra está disponível neste link).
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