Álcool e tabaco aumentam risco de câncer de cabeça e pescoço

Estudo relaciona câncer de cabeça e pescoço aos diferentes tipos de bebida, tabaco e aos padrões de seu consumo

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jorusp

Uma pesquisa na USP mediu qual a probabilidade de se adquirir câncer de cabeça e pescoço em função do padrão de consumo e tipos de bebidas alcoólicas e tabaco. A pesquisadora Suely Sakaguti, bióloga e membro da Comissão de Prevenção e Controle do Tabagismo da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, acompanhou 3.964 portadores de câncer de cabeça e pescoço e 3.097 pacientes com outras doenças que não o câncer, no Estado de São Paulo, e falou sobre os resultados ao Jornal da USP no Ar

Entre outras conclusões, os números indicam que os riscos decorrentes do tabagismo foram mais expressivos para câncer na hipofaringe (parte inferior da faringe, abaixo da epiglote). Particularmente, em indivíduos com padrão não exclusivo de consumo, ou seja, que consumiam mais de um tipo de tabaco. No consumo de bebidas alcoólicas, foi observada maior associação do câncer de orofaringe (parte da garganta logo atrás da boca) ao consumo de bebidas destiladas, que apresentam teor alcoólico mais elevado. Já o uso simultâneo de tabaco e álcool aumentou sensivelmente o risco de qualquer tipo de câncer de cabeça e pescoço.

Substâncias perigosas

Arte sobre foto Wikipedia

Suely Sakaguti explica que tanto o tabaco quanto as bebidas alcoólicas apresentam algumas substâncias consideradas carcinogênicas. Segundo ela, graças às estratégias realizadas no Brasil, a prevalência do consumo de cigarro industrial tem diminuído, embora as pessoas o busquem em outras formas de apresentação, como charuto e cachimbo. Já o consumo de bebidas alcoólicas tem crescido, principalmente entre adolescentes. Portanto, é necessário alertar as pessoas sobre a relação entre o uso dessas drogas e possíveis agravos da saúde, para que a população tenha consciência dos seus hábitos de vida.

O estudo realizado foi epidemiológico caso-controle, no qual os pesquisadores partem da doença e retrospectivamente comparam entre grupos de caso-controle a proporção à exposição ao fator de interesse, no caso, álcool e tabaco. Esse método foi utilizado porque o câncer é uma doença genética, um acúmulo de mutações ao longo do tempo. Ou seja, é necessário um grande período de tempo para que ele se manifeste.

Quando uma pessoa faz consumo de bebidas alcoólicas e/ou tabaco, substâncias carcinogênicas entram em contato com seu organismo. O corpo tem a capacidade de “biotransformá-las” e expeli-las. Mas isso depende de fatores genéticos que ajudam nessa eliminação. Quanto maior o consumo, maior a chance dessas substâncias carcinogênicas se acumularem e se unirem a moléculas de DNA, que é o processo inicial do câncer. A chance é ainda maior para quem ingere álcool e tabaco em conjunto. A pesquisadora esclarece que, ao entrar no nosso organismo, o etanol se transforma em acetaldeído, considerado carcinogênico, além de facilitar a permeabilidade celular. Então, se a pessoa fuma e bebe, as substâncias carcinogênicas do tabaco terão sua entrada facilitada pelo etanol. “O pontapé inicial ao câncer”, afirma a doutora.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

Com informações da Assessoria de Comunicação da FSP

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