O lançamento da segunda temporada de Stranger Things, seriado de sucesso da Netflix, no final de outubro, gerou muitos comentários. E um deles foi sobre a adultização e erotização dos pequenos atores da série.

O exemplo mais gritante é o da atriz Millie Bobby Brown, que interpreta a personagem Eleven. Na primeira temporada, no ano passado, Millie tinha 12 anos e usava tênis. Este ano, ela apareceu com um visual adulto, com roupas de couro, salto, muita maquiagem e cabelos lisos. Outro acontecimento foi em agosto deste ano, na edição da revista norte-americana W, que incluiu a atriz na lista de celebridades que justificam porque a TV está mais sexy do que nunca.
A psicóloga Fernanda Mishima Gomes, do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, revela que a adultização traz efeitos negativos para o adolescente ou a criança, entre eles a imaturidade para resolver conflitos. Além disso, para a psicóloga, a erotização é uma consequência da adultização. “Quando a gente fala de adultização é como se a gente não permitisse que a criança fosse ela mesma.”
Fernanda também fala sobre a importância da educação sexual para que a criança saiba o que é sexualidade e orientação sexual, por exemplo. Assim, ela pode entender fenômenos que acontecem e que devem ser naturais e não precocemente estimulados.
Por Giovanna Grepi