
O Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP inaugurou na quarta-feira, 11 de março, a nova área de ressonância magnética do Instituto de Radiologia (InRad) e as instalações reformadas da Divisão de Ginecologia do Instituto Central (ICHC). Com investimento de R$ 34,6 milhões, as melhorias vão reduzir o tempo de espera por diagnósticos e ampliar a capacidade de internação para procedimentos especializados na rede pública de saúde.
No InRad, o setor de ressonância magnética foi ampliado de 582 m² para 808 m², passando a contar com cinco equipamentos, dos quais quatro são novos. Entre as tecnologias incorporadas, destaca-se um aparelho de 3 Tesla com sistema de gradientes de alta performance, único desse tipo na América Latina, que permite gerar imagens mais detalhadas e precisas. Outra inovação é o uso de inteligência artificial para acelerar o processamento das imagens em cerca de 30%, otimizando o fluxo de diagnósticos.
A unidade também passa a operar 24 horas por dia, o que já resultou em um crescimento de 20% na produção de exames. Para aumentar o conforto dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), as salas foram ambientadas com temas relaxantes e painéis de LED, além de equipamentos com túneis mais largos para atender pessoas com obesidade ou claustrofobia.
Na área assistencial, a Divisão de Ginecologia do Instituto Central reativou 26 leitos de enfermaria após reforma, totalizando agora 48 leitos ativos. A expansão permite o aumento de cirurgias minimamente invasivas voltadas ao tratamento de condições como endometriose profunda, miomas uterinos e tumores de ovário.
“O Hospital das Clínicas representa para a Universidade de São Paulo um verdadeiro celeiro onde se torna possível cumprir plenamente a nossa missão institucional. Aqui se formam profissionais de saúde em diferentes níveis, desde a graduação até os programas de residência médica e multiprofissional que abrangem praticamente todas as especialidades reconhecidas no País”, avaliou o reitor da USP, Aluisio Augusto Cotrim Segurado. “As inaugurações que celebramos hoje reafirmam o significado do HC para a Universidade e para a população. No fim, não são apenas paredes e equipamentos que fazem a diferença, mas as pessoas que trabalham aqui e garantem um cuidado humano e qualificado”, completou.

Impacto no atendimento
Com mais de 600 mil metros quadrados de área e 2.611 leitos instalados, o complexo do Hospital das Clínicas apresenta números expressivos de atendimento. Anualmente, são mais de 60 mil internações, cerca de 48 mil cirurgias e mais de 888 transplantes realizados. O hospital também registra mais de 140 mil atendimentos de urgência e emergência, cerca de 2,2 milhões de consultas laboratoriais, mais de 14 milhões de exames laboratoriais e mais de 1 milhão de exames de imagem. No campo da alta complexidade, o HC responde por 36% das internações desse tipo na cidade de São Paulo, 15% do Estado e 3,3% do País.
A solenidade desta quarta-feira também marcou o primeiro aniversário do programa de expansão e modernização de leitos, que desde o segundo semestre de 2024 tem reabilitado estruturas já existentes, porém desativadas ou ociosas, em vários institutos do HC.
Ao longo do último ano, a ampliação das condições assistenciais resultou na abertura de 264 novos leitos, incluindo 77 de UTI, 150 de enfermaria e 29 de hospital-dia, distribuídos entre o Instituto do Coração (Incor), o Instituto Central, o Instituto do Câncer, o Instituto de Psiquiatria e o Instituto da Criança e do Adolescente. A expansão já impacta os indicadores de atendimento, com média mensal de 66,4 mil pacientes-dia, crescimento de cerca de 11,5%, além de aumento de 15,5% nas saídas hospitalares e quase 30% no número de cirurgias em alguns institutos. A taxa média de ocupação alcança 82%, enquanto a realização de exames laboratoriais chega a 1,2 milhão por mês, com crescimento de 16,3%, reforçando o papel do hospital como um dos principais centros de assistência de alta complexidade do Sistema Único de Saúde.
O secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, destacou a parceria com a academia para o fortalecimento da rede. “Quando iniciamos esse processo de expansão da rede, a Universidade de São Paulo foi o primeiro lugar em que batemos à porta, porque sabíamos que encontraríamos aqui um parceiro confiável, com capacidade técnica e espírito de inovação. O Hospital das Clínicas tem essa característica de estar sempre à frente, de pensar soluções novas e de transformar conhecimento em assistência. Por isso, sabíamos que, diante dos desafios da saúde pública, poderíamos contar com a competência da USP e de todo o complexo do HC”, afirmou.
Segundo Paiva, o esforço conjunto já resulta em um total de 290 vagas disponíveis à população, entre leitos novos ou reativados, e representa o uso eficiente e responsável dos recursos públicos: “São investimentos inteligentes, que não demandam verbas vultuosas de grandes obras, mas que impactam enormemente as pessoas ao promover um aproveitamento racional daquilo que já está disponível. Ao mesmo tempo, podemos investir em novas estruturas em outros locais onde identificamos demandas”.

























