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Representantes de secretarias de Educação do interior de São Paulo, de Teresina (PI) e de Mato Grosso do Sul conheceram novas pesquisas, ferramentas e estratégias para a melhoria da educação na segunda conferência da Região Metropolitana de Ribeirão Preto. O encontro, realizado em 26 de fevereiro na sede do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto da USP, marcou o início das atividades de 2026 da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira e da Cátedra Instituto Ayrton Senna de Inovação em Avaliação Educacional.
Realizada com apoio da B3 Social, associação sem fins lucrativos, a conferência reuniu também organizações do terceiro setor e o Instituto Ribeirão 2030 com o objetivo de oferecer apoio à formulação de políticas públicas educacionais. Os participantes puderam discutir, em primeira mão, estudos do Dossiê Educação da Revista Estudos Avançados do IEA, achados de um projeto de pesquisa sobre boas práticas em alfabetização, análises sobre educação digital e desenvolvimento de competências, além de um novo aplicativo para cruzamento e visualização de dados que entra em fase de testes em algumas redes de ensino parcerias da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira.
“O mecanismo das cátedras é muito importante porque nos permite reunir as maiores inteligências do setor para fazer programas conjuntos e contínuos, em uma relação mais intensa do que se as recebêssemos como professores visitantes. Maria Helena Guimarães de Castro e Mozart Neves Ramos são catedráticos brilhantes que contribuem com esse espírito público para melhorar a educação”, afirmou a diretora do Instituto de Estudos Avançados da USP, Roseli de Deus Lopes.

“As cátedras representam um esforço da Universidade no sentido de produzir conhecimentos que apoiem a gestão, implementação e monitoramento de políticas e processos, com foco no bem comum”, afirmou Maria Helena, titular da Cátedra Instituto Ayrton Senna de Inovação em Avaliação Educacional. Ao lado do coordenador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social (Lepes), Luiz Scorzafave, ela apresentou os primeiros achados de um estudo sobre alfabetização e identificação de boas práticas em redes com desempenho acima do esperado segundo suas características.
O encontro também contou com uma discussão sobre o uso de tecnologias por crianças e jovens e a necessidade de promover a chamada Educação Digital, em apresentação do relator do Complemento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) sobre Computação, Ivan Siqueira. Com o objetivo de desenvolver parâmetros para a formação continuada neste campo e identificar contribuições do desenvolvimento de competências digitais para a alfabetização e o letramento matemático, ele irá realizar um projeto de pós-doc no IEA-RP ao longo de 2026. O trabalho contará com oficinas para educadores formadores, com foco em reconhecer, avaliar e utilizar adequadamente recursos digitais nos anos iniciais do ensino fundamental.
Aplicativo irá auxiliar análise de dados

Com auxílio de inteligência artificial, analistas da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira desenvolveram um aplicativo que reúne ampla base de dados educacionais, socioeconômicos e demográficos para realizar análises robustas e novas formas de verificar o desempenho de redes de ensino em todos os municípios do País.
A partir de indicadores de avaliações nacionais, investimento por aluno, Produto Interno Bruto (PIB), Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), entre outras informações, o aplicativo realiza cruzamentos rápidos de grande volume de dados e permite compreender desigualdades educacionais, diferenças e semelhanças entre redes de todas as regiões, com modelo de visualização de fácil usabilidade.
A ferramenta está sendo usada por 14 Secretarias de Educação parceiras da Cátedra que participaram de uma formação entre os dias 21 e 26 e estiveram na conferência em Ribeirão Preto. Ao longo do primeiro semestre de 2026, a expectativa é que até 50 redes sejam convidadas a participar do piloto em quatro estados onde a Cátedra atua: São Paulo, Alagoas, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Após a realização de eventuais correções e ajustes de usabilidade, a previsão é que em 2027 esteja disponível a versão 1.0 do aplicativo.
“Buscamos transformar a experiência de seis anos da Cátedra em um instrumento que não apenas reúna dados, mas permita uma customização para que cada usuário possa manusear as informações e extrair os insights sobre sua própria realidade, com autonomia”, afirmou o idealizador da iniciativa, João Henrique Rafael Júnior, assistente acadêmico do IEA em Ribeirão Preto.
Além de conhecer melhor sua própria trajetória e compreender se há consistência no desempenho de sua rede ao longo dos anos em relação às estimativas de aprendizado adequado e à meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), cada secretaria pode comparar seu desempenho com qualquer outro conjunto de municípios. É possível visualizar simultaneamente todas as redes de uma região metropolitana, ou então comparar apenas aquelas com características mais similares em termos de população e PIB, por exemplo.

“Poder explorar o aplicativo foi incrível, tem uma gama de funcionalidades que realmente nos permite aprofundar as análises e trazer vários insights. A gente trabalha muito com os dados do Ideb, mas acaba focando no desempenho e esquecendo os indicadores de contexto. No aplicativo, a gente consegue ter mais correlação entre os fatores, além de otimizar o tempo operacional de organização dos dados, liberando mais tempo para as análises”, afirmou Gabrielle do Nascimento Silva, assessora na Unidade de Planejamento e Gestão Estratégica da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
“Tanto o aplicativo quanto a formação foram fundamentais para nossa equipe. A parceria com a Cátedra nos permite realizar trocas muito ricas, conhecer outras práticas de uso das evidências que podemos adequar à nossa realidade. Queremos voltar para a secretaria levando esses aprendizados para a rede”, disse ela.
Artigos abordam aspectos diversos da qualidade na educação
A conferência também contou com a apresentação e sugestão de leitura do Dossiê Educação, um conjunto de artigos que integra a edição 115 da Revista de Estudos Avançados do IEA. Com mais de 20 anos de história, essa publicação quadrimestral busca compartilhar temas abordados pela academia em linguagem acessível, apoiando o contato de públicos diversos com inúmeras áreas da ciência.
Nesta edição, que abordou apenas temas relacionados à educação, foram apresentados dez artigos de autoria de pessoas convidadas pelas Cátedras Sérgio Henrique Ferreira e Instituto Ayrton Senna de Inovação em Avaliação Educacional. “Esse dossiê é uma reflexão contemporânea que tem contribuições fundamentais para pautar o debate sobre as principais questões que afetam a educação básica no Brasil atual”, afirmou Sérgio Adorno, editor da revista.
Entre os aspectos abordados, estão reflexões sobre novos modelos de avaliação escolar, os desafios da recomposição de aprendizagens pós-pandemia, a trajetória de estudantes negros na educação básica e as evidências de desigualdade racial, o uso de inteligência artificial para inclusão de estudantes com deficiência, os conflitos e a convivência nas escolas, o efeito do ingresso na educação infantil e os caminhos do ensino Médio. O conteúdo completo está disponível neste link.
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*Jornalista da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, IEA-RP
























