Trecho 1 do Rodoanel Norte, recém-inaugurado, terá impactos ambientais para além da redução do tráfego

Claudio Barbieri comenta que ainda é cedo para medir todas as consequências, uma vez que o trecho 2 do tramo norte ainda não foi concluído

 Publicado: 03/03/2026 às 11:59
trecho norte do Rodoanel
O alívio do congestionamento das vias pode levar a uma menor circulação da quantidade total de veículos – Trecho norte do Rodoanel – Foto: Governo do Estada de São Paulo/Divulgação
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Aberto para a circulação de veículos em dezembro de 2025, após quase 13 anos de obras, o primeiro trecho do Rodoanel Norte (SP-021) conecta as rodovias Fernão Dias (BR-381) e Presidente Dutra (BR-116) e deve aliviar o trânsito e o volume de poluição na Marginal Tietê, servindo como alternativa para veículos que não precisam necessariamente entrar em São Paulo, mas contornar a cidade. Entretanto, apesar de seu impacto positivo imediato, especialistas questionam seus efeitos a longo prazo, alegando que essa não deve ser a solução definitiva para os problemas da região.

Claudio Barbieri, professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, relata os impactos que o final da construção desse tramo já está tendo. “Ainda que esteja cedo para medir todas as consequências, a primeira já é uma leve diminuição do trânsito na Marginal Tietê. Eu digo leve, pois enquanto o trecho 2 do tramo norte não for concluído, seu real impacto ainda não será sentido.”

Os impactos para além do tráfego

“A primeira repercussão, além do trânsito, é o impacto ambiental, menos congestionamento, menos horas dos veículos parados significa menos emissões de gases de efeito estufa, levando a uma melhoria na qualidade do ar da metrópole. Outro resultado é a circulação de veículos em maior velocidade nessas vias, o que leva a menos horas de veículos parados e, consequentemente, benefícios econômicos, já que essas horas podem ser valorizadas monetariamente”, explica o professor.

Cláudio Barbieri da Cunha – Foto: IEA/USP

Barbieri também comenta que o alívio do congestionamento das vias pode levar a uma menor circulação da quantidade total de veículos que operam, principalmente dos que realizam entregas. “Em uma rede de supermercados que opera na zona oeste e tem que ir até a zona leste, por exemplo, hoje, o dimensionamento dessa frota é de 15 veículos, visto que cada automóvel leva um tempo para chegar lá para realizar as entregas. Após a mudança, talvez seja possível executar as mesmas entregas com 10, já que cada um tem mais tempo para fazer mais entregas e são necessários menos.”

Entretanto, por promover um completo rearranjo das dinâmicas da cidade, o professor afirma que não é possível prever se o término da construção dos trechos vai evitar o engarrafamento no futuro. Esse fenômeno ocorreu quando foi inaugurada a pista central da Marginal Tietê, aumentando a via em três faixas. No começo, os impactos foram positivos, porém, o alto fluxo de pessoas que foram morar na zona leste nesse período fez com que a marginal congestionasse novamente.

Por que a demora?

“Essa era uma obra necessária, considerando todos os benefícios que foram citados, mas o motivo de sua demora foi a preocupação com a Serra da Cantareira. Obras dessa magnitude estimulam o adensamento urbano, ao seus arredores, e como essa é uma área de preservação da Mata Atlântica a solução encontrada foi a construção de um túnel. A estratégia encontrada evita que a cidade cresça em cima da serra legalmente ou de maneira desordenada e informal, por isso sua grande duração.”

Apesar da magnitude e do investimento massivo nessas obras, Barbieri ainda diz que o investimento em meios de transportes públicos é preciso. “Nenhuma grande metrópole do mundo, por mais recursos que tenha, consegue dar conta de sustentar o transporte exclusivamente com vias que vão suportar carros, cada um transportando uma única pessoa. Essas obras são um incentivo para a população se transportar mais e mais longe e o transporte coletivo é a maneira mais eficiente das pessoas se deslocarem, pela velocidade e praticidade que oferece”, finaliza o engenheiro.


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