

Em novembro de 2025, aconteceu a Conferência das Partes no Brasil, a COP30, em Belém, no Pará. O evento marcou um momento histórico para o País e para as discussões a respeito das mudanças climáticas. Os sistemas agroalimentares também apareceram como tema de destaque na conferência.

O encontro foi rodeado por discussões internas e externas a ele, baseadas em negociações, agenda de ação e movimentos sociais. Fabrício Muriana, cofundador e diretor do Instituto Regenera, parceiro da Cátedra Josué de Castro da Faculdade de Saúde Pública da USP, comenta que esses aspectos de dentro e fora da COP se influenciaram. “Na parte de dentro, a campanha do Na Mesa da COP30, liderada pelo Regenera e pelo Comida do Amanhã, usou parte desse repertório de movimento social para que a gente tivesse alimentação de produção agroecológica e acessível, da agricultura familiar, na própria COP, como uma forma de tentar influenciar esse processo.”
Contribuição da comunidade
A participação da sociedade civil foi um dos grandes diferenciais da última edição da conferência. Essa contribuição ativa auxiliou na oxigenação dos temas sobre as questões climáticas, afirma o diretor. Francine Xavier, parceira da Cátedra Josué de Castro, cofundadora e diretora do Instituto Comida do Amanhã, afirma que o preparo da comunidade foi essencial para os avanços realizados na COP.

“Em 2025, a criação do Pavilhão Food Roots and Routes trouxe para dentro da Zona Azul diferentes vozes do Sul Global, incluindo agricultura familiar e povos e comunidades tradicionais, para pautar a transição ecológica justa dos sistemas alimentares como parte da solução climática. O espaço apresentou outras perspectivas para os debates até então conduzidos pelo Norte Global”, diz Francine.
Debate regionalizado
Para manter a evolução apresentada constante, é necessário manter as discussões abordadas recorrentes na sociedade. Segundo Muriana, as questões climáticas relacionadas aos temas alimentares são de simples replicação, sendo possível a discussão baseada em exemplos práticos e concretos.
A regionalização das temáticas também é um viés de continuidade positivo para as próximas conferências, de acordo com Francine. “Seria muito interessante que a gente continuasse com o debate de sistemas alimentares iniciado pelo Sul Global, instigado pelas questões do Sul Global, porque são os países mais afetados pela questão alimentar no que está relacionado às variáveis climáticas.”
*Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo
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