Atividade e exercício físico podem reduzir as chances de pré-eclâmpsia

Monica Yuri Takito afirma que o sedentarismo é negativo para as gestantes, mas o excesso de atividade também

 20/01/2026 - Publicado há 6 meses
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Detalhe de gestante segurando pesos (alteres) e sendo orientada durante atividade física em sala de ginástica no Centro de Práticas Esportivas (Cepeusp) – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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O Ministério da Saúde lançou mais uma edição do Guia de Atividade Física para a população brasileira. Ele indica a quantidade de exercícios que, em média, o brasileiro deve praticar por semana. O guia é dividido entre faixas etárias, mas também tem uma seção separada só para gestantes e pessoas pós-parto. Nessa seção é definido que a atividade e o exercício físico ajudam a diminuir as chances de pré-eclâmpsia. Segundo a professora Monica Yuri Takito, do Departamento de Pedagogia do Movimento do Corpo Humano, da Escola de Educação Física e Esporte, o guia fornece uma indicação geral, mas a quantidade real depende da individualidade biológica de cada indivíduo.

Existe uma diferenciação entre atividade e exercício físico, mas ambos possuem efeitos positivos para as gestantes. “Atividade física, em geral, pode ser o que a pessoa faz no dia a dia. Então, se a mulher é fisicamente ativa, não necessariamente ela faz exercício, mas ela faz caminhada, ela vai trabalhar, ela anda para ir trabalhar, ela se desloca com algum meio ativo, como bicicleta. Ela ser fisicamente ativa, independentemente se está relacionada a uma atividade de lazer, já é bastante importante. Quando eu falo aqui de exercício físico, o exercício tem a ideia de melhorar a aptidão física, mas, na gestação, essa não é a prioridade, a prioridade é ajudar na adaptação dos sistemas”.

Monica Yuri Takito – Foto: ResearchGate GmbH

Entre os lados positivos dessas práticas está a redução de pré-eclâmpsia. Esse problema, “que acontece na gestação, é resultado de adaptações fisiológicas bastante importantes para a gestação. Elas começam logo no começo da gestação, com menos de seis semanas, a partir de alterações cardiovasculares, metabólicas, que fazem com que a mulher tenha uma diminuição da pressão arterial no início da gestação. Então, às vezes, a mulher tem desmaios, queda de pressão. Isso não é patológico, é uma reação normal de adaptação do organismo. Até a metade da gestação, ou seja, até a vigésima semana, é difícil ter pré-eclâmpsia, porque a gestante tem uma tendência do organismo estar se adaptando e se preparando para a segunda parte da gestação. A partir da vigésima semana, a pressão arterial volta a subir, o que é esperado, mas se ela sobe muito, surge o problema da pré-eclâmpsia”.

Condição grave

A pré-eclâmpsia é considerada perigosa por poder levar a mulher a ter eclâmpsia, uma condição grave que ocorre durante o parto ou no pós-parto, marcada pela pressão alta e danificação de órgãos vitais, como os rins, podendo levar a mãe e o bebê a óbito. A prática de atividade e exercício físico é importante para a redução, mas exige um cuidado. “A manutenção de um nível de atividade física adequado pode potencialmente minimizar os desconfortos iniciais, como ânsia, enjoo, mal-estar. Ele pode também ajudar no controle de peso da gestante”. Monica lembra que o ganho de peso durante as primeiras semanas deve ser em volta de meio quilo e ressalta que a “gestante não come por dois e sim por um” .

Sobre os efeitos a respeito da possibilidade de pré-eclâmpsia, a professora afirma: “A atividade pode, dependendo da atividade física, ajudar no controle da hipertensão, no controle da glicemia, porque tem alterações metabólicas importantes que vão alterar a resistência à insulina, então vai ter uma adaptação em que o exercício pode auxiliar. Exercícios cardiovasculares podem ajudar com uma diminuição de risco para desenvolver hipertensão gestacional e, dependendo da atividade, você pode também ajudar, por exemplo, na diminuição da dor lombar, que é bastante frequente na gestação”.

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo


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