Na última semana ocorreu a 4ª edição do USP Pensa Brasil, um evento que pretende estimular a participação da Universidade no debate público, discutindo grandes temas nacionais, assim como disseminar o conhecimento produzido na academia e seu diálogo com o pensamento elaborado por outros organismos. O tema dessa edição foi o da relação do Brasil com a desordem mundial em curso. O professor Martin Grossmann destaca, em seu comentário, a participação de dois dos atuais titulares da Cátedra Olavo Setubal-Transversalidades: Fernando de Almeida e Nísia Trindade Lima.
Fernando de Almeida integrou um debate relacionado ao tema Ciência e Democracia: relações da universidade e política, “contribuindo com uma reflexão acerca do papel da universidade e da escola como sistemas de conhecimento correlatos a sistemas de convivência, como é o caso da democracia. Em sua exposição, Almeida desenvolveu uma explanação muito bem embasada sobre a importância da escola e da universidade diante de certas falácias relacionadas ao protagonismo tecnológico digital e quântico, destacando o papel do professor e da ambiência escolar, assim como da importância da presença e participação ativa daqueles que compõem esse ambiente”.
Nísia Trindade, por sua vez, integrou um seminário cujo tema foi o da Ciência sob Ataque, embasado em quatro perguntas, que ela não se esquivou em responder. “Chamou-me a atenção o fato de Nísia ter concentrado sua análise na necessidade da Universidade, diante desta crise de proporções globais, investir na autocrítica. Para tanto, resgatou a contribuição histórica de Robert Merton no texto Ciência e Sociedade Democrática, datado de 1942, quando o mundo se encontrava em plena Segunda Guerra Mundial. Nesse texto, Merton salienta que uma instituição que sofre ataques tem que examinar de novo seus fundamentos, revisar seus objetivos, buscar sua explicação racional […]. Para finalizar sua contribuição ao debate, Nísia trouxe a alegoria do Anjo da História, de Walter Benjamin — que já foi explorada também aqui nesta coluna— e que sempre é lembrada como uma alegoria que enfatiza o papel da crítica diante dos processos progressistas, lineares e funcionais da modernidade”.
Grossmann finaliza: “A mensagem que fica é a de que a ciência, a universidade, não devem considerar o progresso como dogma, como valor inquestionável e essencial à sua condição e existência. Uma excelente e muito bem-vinda reflexão”.
Na Cultura, o Centro está em Toda Parte
A coluna Na Cultura o Centro está em Toda Parte, com o professor Martin Grossmann, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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