Mudanças climáticas exigem melhora e planejamento das estruturas de drenagem em São Paulo

Volumes recordes de chuvas durante o verão têm colocado à prova o sistema de escoamento de água na capital paulista, segundo especialistas

 07/08/2025 - Publicado há 7 meses
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Água acumulada formado trajeto d'água em meio de passagem de pedestres
Os métodos sustentáveis de drenagem podem ser meios eficazes de contenção e minimização de danos causados por chuvas intensas – Foto: wirestock/Freepik
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Em janeiro de 2025, a cidade de São Paulo sofreu o terceiro maior volume de chuva de sua história. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foram 125,4 mm de precipitação acumulados, que causaram o alagamento de ruas e estações de Metrô, além do desabamento e quedas de árvores ao redor da capital paulista. Esses eventos, cada vez mais comuns durante o verão brasileiro, consequência das mudanças climáticas mundiais, colocam os sistemas de drenagem da cidade em xeque.

A drenagem urbana é responsável pelo recebimento e escoamento das águas para longe do espaço urbano, até os fundos de vale, como rios e córregos. Entretanto, Adriana Sandre, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP, comenta que essa lógica tem se mostrado bastante complexa e desafiadora na região metropolitana. “A impermeabilização do solo, que se intensificou na década de 70, tem sido um fator agravante nos problemas de drenagem urbana em São Paulo. Antes, a água da chuva infiltrava no solo, agora ela escoa direto de nossas casas, das ruas.”

Mudanças climáticas

Adriana Sandre – Foto: Lattes

As alterações nas dinâmicas climáticas mundiais têm afetado diretamente a rotina pluviométrica no Brasil. De acordo com a professora, as ilhas de calor, fenômeno que corresponde às altas temperaturas das zonas pavimentadas das cidades em relação às zonas rurais, contribuem para chuvas concentradas em um curto período de tempo. Eventos climáticos urbanos como esse sobrecarregam os sistemas de drenagem, tornando-os insuficientes e gerando cenários de alagamentos e inundações.

Para lidar com essas alterações repentinas no clima brasileiro, as estruturas urbanas responsáveis por escoar as águas precisam estar adaptadas ao inesperado. Rodolfo Scarati, professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica da USP, acredita que dispositivos como os piscinões e ações distribuídas na drenagem urbana assumem papel importante durante chuvas muito volumosas repentinas. “Uma rede extensa de dispositivos, espalhados, cria uma rede redundante de drenagem, de forma que se um mecanismo falha, o outro funciona.”

Investimentos

José Rodolfo Scarati – Foto: USP Imagens/Marcos Santos

Os métodos sustentáveis de drenagem podem ser meios eficazes de contenção e minimização de danos causados por chuvas intensas. Segundo Adriana, mecanismos como parques urbanos podem reter a água das precipitações por maior período de tempo, o que reduz a velocidade de escoamento. Em adição, ao longo do percurso de escoamento o solo pode absorver um volume considerável da precipitação, amortecendo o que cai nos fundos de vale.

Para que o cenário atual seja alterado são necessários investimentos do governo municipal e estadual de São Paulo. “Nós precisamos cobrir os riscos primários, como perdas de vida em inundações, e depois focar em zonas secundárias. Por exemplo, tornar um piscinão, que em grande parte do ano não será utilizado, em parques de uso próprio da população. O investimento tem que ser dosado para que alcancemos uma melhora na qualidade de vida da população paulista”, afirma Scarati.

*Sob supervisão de Cinderela Caldeira


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