Novos passos na cirurgia da catarata

A evolução da cirurgia de catarata trata de um grande esforço científico e tecnológico, um conjunto de pesquisadores, especialistas e indústria

 23/07/2025 - Publicado há 8 meses

Logo da Rádio USP

A catarata é um problema de saúde registrado desde a Antiguidade, e ainda que existam estratégias de prevenção, o tratamento é cirúrgico e está em constante evolução. Sistemas de intervenção automatizados e lentes minúsculas com programação óptica para as demandas da modernidade conduzidos por cirurgiões experientes resgatam a jovialidade da visão dos tempos de jovens na grande maioria dos casos.

Catarata é uma doença ocular, reconhecida a séculos que se apresenta como a opacidade progressiva da lente ocular natural, o cristalino. Desde os registros mais remotos em civilizações antigas como da Índia e do Egito teve formas de abordagem cirúrgica bem-sucedidas. Por muito tempo, ao constatar a pupila branca, cirurgiões habilidosos usavam uma fina lanceta que deslocava essa lente opaca do centro do olho e restaurava a passagem de luz. Em séculos recentes, a retirada do cristalino opaco passou a ser possível e substituiu o simples deslocamento interno do cristalino.

A observação de que fragmentos de acrílico de para-brisa dos aviões usados na Segunda Guerra Mundial, que perfuravam os olhos dos pilotos em traumas durante os combates, não produz inflamação fez o oftalmologista britânico Harold Ridley conceber e implantar a primeira lente intraocular para substituir o cristalino em 1950, não sem sofrer críticas e resistência dos oftalmologistas tradicionais da época. Hoje em dia, apesar de a catarata ser ainda um imenso problema de saúde pública, que tira a visão, principalmente da população mais velha, a imensa maioria dos operados de catarata são reabilitados com o implante de lentes intraoculares, e isso reduz a necessidade de óculos para esses operados.

Não satisfeitos com esse enorme salto evolutivo, comparado aos tempos ancestrais, a cirurgia continuou evoluindo nas últimas décadas. O microscópio cirúrgico permitiu intervenções mais precisas e delicadas desde a década de 1970, e se acompanhou de fios superfinos e instrumentos cirúrgicos delicados que por muito tempo tornaram o processo cirúrgico artesanal muito elegante, abreviando muito o período de recuperação e melhorando a precisão do resultado visual com cálculos biométricos para lentes intraoculares personalizadas.

No final dos anos 1990, com equipamentos automatizados, usando fluxo de líquidos e ultrassom, a cirurgia passou a ser mais rápida, a segurança aumentou e a necessidade de anestesia e o tempo de recuperação ficaram ainda menores. Nos últimos anos, com o uso de laser para executar com precisão parte dos passos da cirurgia de catarata além de lentes intraoculares personalizadas para atender a demandas diferenciadas elevaram o nível de satisfação e da recuperação funcional de cada indivíduo. Tudo isso teve pesquisa acadêmica e industrial, apoiando estudos clínicos e esforço de inovação.

Assim, da antiga cirurgia realizada com instrumento único e que era capaz de restaurar apenas a passagem de luz para a cirurgia atual houve grande avanço nos dois pilares para a cirurgia, que são a segurança e a recuperação da qualidade de vida. A cirurgia de catarata é a mais frequente realizada hoje em dia no mundo. Problemas existem e as decisões na cirurgia devem ser apoiadas na experiência profissional e em procedimentos com qualidade assegurada e verificável.


Fique de Olho
A coluna Fique de Olho, com o professor Eduardo Rocha, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

.

.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.