

“O centro foi criado para, juntamente com outras instituições, ajudar o Brasil a atingir suas metas internacionais em relação às mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global. Nosso objetivo é ajudar, no setor de agricultura, pecuária e silvicultura, a termos menor emissão de gases do efeito estufa, gases estes que causam aquecimento global e, consequentemente, as mudanças no clima, não só reduzindo as emissões de gases, mas também vendo parte dos gases que estão em excesso na atmosfera no que é chamado tecnicamente de sequestro de carbono. As pessoas vão estranhar esse nome sequestro de carbono, porque a gente tem uma imagem ruim. Obviamente sequestrar uma pessoa é terrível, mas no caso do carbono é bom. A gente tira carbono da atmosfera pelas plantas que naturalmente fazem fotossíntese e parte do carbono da planta agora é retomado, introduzido ao solo e, lá, se estabilizado. Se ficar em uma forma que a gente chama de humus do solo, pode ficar séculos, milênios. Então esse é o grande desafio”, explica o professor.
Cerri considera que “todos os setores econômicos têm a obrigação de reduzir as emissões. Só que o setor da agropecuária e silvicultura é o único setor que consegue, além de reduzir, sequestrar carbono; fazer isso sem comprometer a produção de alimentos de origem vegetal, de origem animal, fibras, biocombustível, já que a agricultura tem um papel central no Brasil, sobretudo não só para alimentar a população, como tem feito, mas também como divisas, como PIB e exportações. Então estamos ajudando a alimentar não só o Brasil, mas mais de 80 países do mundo”.
O Centro conta, hoje, com mais de 70 pesquisadores da USP, mas também da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) e instituições federais de várias partes do Brasil, além de um grupo de pesquisadores de instituições internacionais.
“Já temos vários casos de sucesso, onde a sustentabilidade associada à produção de alimentos, fibra e energia já acontece. O que a gente precisa fazer é expandir para as áreas, para condições que ainda não se atentaram para esse duplo benefício. A gente fala que é um ganha/ganha, porque o ambiente ganha, nós, como consequência, ganhamos e, também, o ambiente de produção é beneficiado. Existe uma avaliação que a gente faz da saúde do solo, da saúde da planta, da saúde do animal e, então, nosso desafio é como melhorar essas relações entre solo, planta, animal e atmosfera para que o ambiente fique mais favorável, o sequestro de carbono seja mais intensificado, a emissão de gases mais e mais reduzida e esses ambientes de produção mais resilientes. Isso só é possível quando práticas sustentáveis são adotadas nos manejos dessas culturas. Elas contemplam os três pilares da sustentabilidade: o pilar relacionado ao ambiente, o econômico, porque aumenta a rentabilidade para o produtor, e, o social, porque dá empregabilidade e melhores condições de vida para essa população que está no campo”, avalia Cerri.
Por Dentro da USP
O boletim Por Dentro da USP é uma produção que divulga quinzenalmente as ações da administração universitária de interesse da população. Ouça os episódios anteriores.
Apresentação: Adriana Cruz e Michel Sitnik
Produção: Adriana Cruz e Michel Sitnik
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