Marisa Midori ressalta o “clima nebuloso” de Dalton Trevisan e Poty

A colunista fala esta semana de uma exposição na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin que homenageia o “vampiro de Curitiba” e seu mais famoso ilustrador

 30/05/2025 - Publicado há 10 meses     Atualizado: 02/06/2025 às 8:10
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A professora Marisa Midori trouxe um vampiro para sua coluna desta semana – mas não aquele de Bram Stoker ou o de Dusseldorf. Ela falou do “vampiro de Curitiba”, Danton Trevisan, falecido em 2024 e tema de uma exposição na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária. “Trata-se da mostra Dalton Trevisan, Espião de Almas, em cartaz na BBM de 20 de maio a 10 de agosto, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30. A curadoria é de Augusto Massi, professor de Literatura Brasileira da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, e Fabiana Faversani, representante literária de Dalton Trevisan e editora. A expografia é assinada por Chico Homem de Melo, professor de Design da FAU-USP e autor, em parceria com a design Elaine Ramos, do clássico Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil (obra hoje esgotada e que bem merece uma reedição)”, explica a colunista. “Chico Homem de Melo fez uma verdadeira ocupação no hall da biblioteca. Ali ele instalou cartazes em paredes modulares, feitas em PDF, que dão bem o tom da fusão entre texto e grafismo na obra de Dalton Trevisan. É o que vemos nos seus célebres caderninhos. Texto e imagem se fundem com traços de Franz Masereel, Jean Coteau e Poty Lazarotto. Aliás, podemos dizer que Dalton Trevisan e Poty Lazarotto formaram uma dupla explosiva em Curitiba”, afirma Marisa Midori.

E é justamente esta parceria artística entre Trevisan e Poty – que além de ilustrador de livros e capista é um verdadeiro patrimônio de Curitiba – que mais chamou a atenção da colunista. “Quem visita Curitiba tem essa dimensão da importância do artista para a cidade. É interessante a forma como um artista incorpora a alma da cidade. Ou como a cidade rouba do artista a sua alma. E, no caso de Curitiba, são dois artistas: Poty Lazzarotto, este curitibano, filho de imigrantes italianos, que nasceu em 1924 e faleceu em 1998; e Dalton Trevisan, este outro curitibano, que nasceu em 1925 e faleceu em 2024, com quase cem anos de idade”, contextualiza a professora. “E esse clima nebuloso ou vampiresco de Dalton e Poty é muito visível, ou seja, foi muito bem captado pelos curadores da exposição. Além do mais, temos também Traçadas Linhas, Dalton e Poty, que é o tema-título do livro editado por Fabiana Faversani e Thiago Tizzot, em Curitiba, em 2024. Com tiragem de 250 exemplares e a participação de vários artistas gráficos, esta caixa é a celebração de um encontro raro, que durou muitas décadas e deixou marcas indeléveis na cena artística nacional”, finaliza Marisa Midori.


Bibliomania
A coluna Bibliomania, com a professora Marisa Midori, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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