A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a mais importante e renomada do mundo, acaba de rejeitar as demandas tidas como ilegais e imorais do presidente da República. Como retaliação, o governo de Donald Trump congelou mais de US$ 2,2 bilhões, ou seja, cerca de R$ 13 bilhões utilizados para financiar pesquisas e bolsas de estudo. Para o professor Glauco Arbix, as restrições colocadas por Trump ferem direitos consagrados e apagam todo traço de autonomia acadêmica ao condenar explicitamente estudos que desagradam a Casa Branca, como os do clima, da sustentabilidade, de raça, gênero e segurança da inteligência artificial e mesmo das vacinas. “Trump acusa as universidades de serem cúmplices de comportamentos antissemitas, mas esse suposto antissemitismo é apenas uma cortina de fumaça. Há muito que Trump e seu vice identificam as universidades como sendo os inimigas dos Estados Unidos, que não podem ser reformadas por dentro e que devem ser atacadas.”
Arbix diz ainda que, para o extremismo de ultradireita, as universidades devem ser desmanteladas para viabilizar o renascimento da nação americana, agora reconfigurada por Trump. “Ou seja, a guerra é política em toda a sua extensão, pois Trump acusa os universitários de serem responsáveis pelo enfraquecimento e declínio moral, político e econômico dos Estados Unidos. Os ataques do governo reverberam por toda a sociedade no mundo da economia, da política e atravessam fronteiras que passam a sacudir todo o planeta.” O colunista admite, contudo, que a resistência aos desmandos do presidente norte-americano já começou dentro e fora dos EUA. “Começam a se multiplicar protestos nas ruas em torno do slogan hands off, (tirem as mãos). Será que essa recusa vai se expandir, vai ganhar musculatura, vai ressoar mais forte?”, pergunta Arbix. “A previsão é difícil, pois há muito medo, há muita ameaça de perseguição e de retaliação. Todos sabemos que as tensões na sociedade são altas, tão altas que cientistas começam a expressar desejo de abandonar o país, num comportamento inédito na história, que sempre teve nos Estados Unidos um polo de atração de mentes brilhantes e não daquilo que é chamado de brain drain, fuga de cérebros. Num paradoxo, a política de Trump pode provocar a migração de cientistas pelo mundo, inclusive para o Brasil, para a USP, desde que a gente tenha política para isso. Torcemos pelas universidades e pela ciência americana, que o estrago provocado por Trump termine logo, a exemplo do Brasil, que deixou claro que nenhum pesadelo dura para sempre.”
Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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