
Visando a digitalizar todo o acervo científico do Departamento de Patologia, a Faculdade de Medicina da USP recebeu investimento de R$ 2,6 milhões. A iniciativa tem como objetivo facilitar o acesso para pesquisas de âmbito internacional, relacionadas à evolução histórica das doenças no Brasil.
O projeto planeja digitalizar cerca de 277.500 laudos de autópsia, produzidos entre 1921 e 2000. Thais Mauad, professora do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina (FM) da USP, comenta que a preservação desse acervo permite entendermos as alterações do quadro de doenças no País. “Esse acervo conta um pouco a história dessas doenças, ele conta a história das epidemias que vivemos, como a aids, como o HN1, como a covid. Ele tem bastante importância histórico-científica.”

Momento delicado
Durante a pandemia de covid-19, o departamento enfrentou novos desafios para a realização de autópsias. A docente afirma que o desenvolvimento de novos métodos exigiu o empenho de toda a equipe de profissionais da instituição. A técnica utilizada pelo departamento foi muito importante para reduzir os riscos de contaminação da doença em processos de autópsia.
O projeto tem suporte da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O investimento auxiliará na digitalização tanto de laudos de autópsias passadas quanto de lâminas histológicas. “No nosso acervo, nós temos casos de doenças raríssimas, grandes coleções de neoplasias do Hospital do Câncer, por exemplo. Este é um acervo muito importante, do ponto de vista científico e acadêmico. Isso (a preservação) ajudará muito no ensino de patologias em outras faculdades”, ressalta a professora. Além disso, a iniciativa contribuirá para o Museu Histórico da Faculdade de Medicina, a partir do tratamento de imagens e projeções 3D de materiais presentes no estabelecimento, disponibilizados ao público.
O papel da tecnologia
A tecnologia na medicina tem evoluído ano após ano e tais avanços têm contribuído diretamente na área de Patologia. Segundo Thais, atualmente muitos estudantes fazem patologia remota. O acesso a lâminas em imagens de alta resolução e até mesmo diagnósticos realizados por inteligência artificial, através de algoritmos, são alguns dos exemplos que comprovam o impacto tecnológico na área.
O vasto acervo patológico presente na faculdade é de extrema importância não só para a instituição como para o mundo em geral. A raridade das doenças diagnosticadas nas autópsias registradas chama a atenção de diversos pesquisadores ao redor do globo. “Nós temos um acervo histórico muito representativo, de doenças muito raras, que poucos centros acadêmicos no mundo possuem. Então nós conseguimos trabalhar com diversas pessoas, de diversas instituições mundiais”, revela a docente.
Além da preservação, a digitalização do acervo permitirá que o público tenha noção da importância da ciência em questões de saúde mundial. Em momento de questionamentos e negacionismo, o acesso a esse tipo de informação combate esse problema diretamente, segundo Thais. O projeto não só documentará toda uma história da medicina brasileira, mas também permitirá a realização de projetos científicos futuros.
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