
A Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com o Centro de Inovação do Hospital das Clínicas (InovaHC) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), inaugurou, em 2024, o Centro Líder de Inovação em Saúde Digital. Desde seu lançamento, o projeto realizou 29.851 teleatendimentos e conta com uma equipe multidisciplinar, aliada à tecnologia, para aumentar a efetividade no serviço.
Essa e outras iniciativas podem redefinir o cenário do atendimento à saúde no Estado. Para mapeá-las, o governo do Estado criou um projeto — parte do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde Digital — que visa entender as necessidades de cada região, modelos produtivos e desafios tecnológicos. O professor Giovanni Guido Cerri, presidente dos Conselhos dos Institutos de Radiologia (InRad) e de Inovação da FMUSP, explica como esses mecanismos digitais podem beneficiar a população.

A herança da pandemia
Guido Cerri comenta que, em 2020, durante a pandemia de covid-19, o InovaHC desenvolveu um projeto de saúde digital que pudesse ser replicado no território nacional, em conjunto com o governo britânico. A ideia era aliar tecnologia ao aperfeiçoamento do acesso aos atendimentos médicos, de modo a reduzir as desigualdades no País. “Nós sabemos que as novas tecnologias, como a saúde digital, a inteligência artificial, a interoperabilidade, podem ajudar na sustentabilidade da área, ou seja, podem reduzir custos na saúde.” Outros programas, como a melhoria no atendimento nos presídios, o Ambulatório Médico de Especialidade Digital e a tele-emergência, também foram ou estão sendo desenvolvidos.
O mapeamento busca implantar uma alternativa ao atendimento presencial e ampliar a assistência médica no Estado de São Paulo. Também há uma avaliação dos resultados e consequências do projeto. “A pandemia impulsionou a teleconsulta. Fez com que, como os pacientes, muitas vezes, não tinham acesso ou não podiam ir aos hospitais e aos centros de saúde, isso passasse a ocorrer a distância. A ideia foi, realmente, construir um programa estruturado, no sentido de, passo a passo, ir implantando desde a teleconsulta na atenção primária, depois podendo atingir a atenção secundária”, explica. Com isso, muitas pessoas que antes se dirigiam a prontos-socorros podem ser melhor orientadas em relação a quando buscar a emergência ou a assistência ambulatorial: “Passou a haver uma oferta espontânea de mais leitos de UTI, sem necessidade de investimentos […]. Quem precisa estar lá, muitas vezes, acaba tendo o atendimento prejudicado por esse excesso na emergência. Então, é um programa que visa construir uma nova forma de atender os pacientes, permitindo um acesso mais fácil”.
Mapeamento digital
Para traçar um panorama dessa digitalização, uma pesquisa on-line ficará aberta entre 2 de abril e 15 de julho. Questões como infraestrutura, necessidades tecnológicas, acessibilidade, telessaúde e outras soluções fazem parte da análise. Para o pesquisador, é importante ter a devolutiva em relação aos resultados do que foi implantado: “Nós acompanhamos o Net Promoter Score (NPS), que avalia a satisfação do atendimento dos pacientes. E, por exemplo, no sistema de saúde e atendimento à população privada de liberdade, esse NPS é 96, ou seja, ele é muito bem avaliado por quem está sendo atendido”. Os dados ficarão disponíveis neste site.
Além disso, os profissionais são capacitados para utilizar essas novas tecnologias. Guido Cerri avalia que esse preparo é essencial na teleconsulta, no uso da inteligência artificial e no monitoramento à distância dos pacientes, para evitar o fim de projetos por falta de explicações. “Nós também buscamos um equilíbrio financeiro da saúde e incluir uma população que não é adequadamente assistida. Muitas vezes se fala em populações remotas da região Amazônia, mas nós sabemos que existem populações que não são assistidas nas periferias das grandes cidades. Então, nós temos que poder atender essas populações e, sem dúvida, as novas tecnologias nos ajudam nesse objetivo”, finaliza.
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