A coluna desta semana vai tratar sobre as tonturas, que são um distúrbio muito comum e que nos faz passar muito mal e pode estragar um passeio ou uma viagem. Se alguém já passou mal quando anda em algum meio de transporte, passa mal também em brinquedos como roda-gigante, carrossel, montanha-russa, gira-gira, balanço e gangorra, ou diante de alguns movimentos atípicos bruscos de mudança de direção, provavelmente apresenta um distúrbio chamado de cinetose, ou a “doença do movimento” ou o “mal do movimento”.
Segundo a médica Roseli Bittar, otoneurologista do Hospital das Clínicas da USP, a cinetose é um distúrbio do movimento que pode ocorrer quando o corpo está parado e o entorno está em movimento ou o inverso. O cérebro fica confuso com as informações conflitantes entre o labirinto e a visão. Essa confusão é percebida como tontura, enjoos, palidez, suor frio, desconforto físico, fadiga, dor de cabeça ou tontura, terminando em vômitos. Há casos que provocam desequilíbrio e consequentemente a queda, que em idosos pode ser grave. Esse conflito de informações acontece quando o nosso corpo nos informa que estamos parados e nossa visão nos informa que estamos em movimento – por exemplo, quando estamos em um carro ou em um ônibus, entre outros meios de transporte.
A prática da atividade física pode ajudar, mas primeiramente deve ter o diagnóstico, que sempre é do médico especialista. É consenso que exercícios repetitivos de reabilitação desse sistema, chamado de vestibular, promovem um mecanismo de habituação, como realizar movimentos com os olhos e de cabeça em várias direções, movimentos de tronco e pernas, exercícios de caminhar, com olhos fechados e abertos, exercícios para manter o equilíbrio, entre outros, ou seja, exercícios que causam o desequilíbrio para que o sistema vestibular seja treinado para recuperar o equilíbrio. A atividade física entra como prevenção da cinetose.
Segundo o professor José Carlos Farah, são importantes as atividades que desafiem e provoquem o desequilíbrio do corpo, como caminhar em terrenos irregulares, andar de bicicleta, remar – que é um excelente exercício -, entre outras práticas que estimulem o corpo a se reequilibrar e que podem ser utilizadas como possível prevenção da cinetose. Sempre é o médico que, após o diagnóstico, decidirá sobre a conduta mais adequada. Quando afeta o dia a dia, exercícios específicos de reabilitação do sistema vestibular se fazem necessários. A atividade física é preventiva na maioria dos casos.
Corpo e Movimento
A coluna Corpo e Movimento, com o professor José Carlos Farah, vai ao ar quinzenalmente terça-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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