
O grupo Esalq Finance e alunos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP (Esalq) produz mensalmente um boletim macroeconômico que apresenta um panorama mensal dos cenários macroeconômicos do Brasil e de seus principais parceiros comerciais, Estados Unidos e China. Para a análise desses cenários são utilizadas algumas variáveis macroeconômicas que são fundamentais, como taxa de juros, taxa de câmbio, taxa de inflação, taxa de desemprego e o PIB.
O boletim de janeiro de 2025, de acordo com Daniel Ferreira Caixe, professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq, destacou no Brasil a questão do aumento da taxa Selic, utilizada pelo governo como instrumento de política monetária para o controle da inflação. Esse aumento foi motivado principalmente pelo IPCA projetado ter sido menor do que o verificado, no caso IPCA 15. Este cenário de aumento da taxa Selic tem implicações diretas tanto para pessoas como para empresas. Outro destaque do Brasil em janeiro foi a questão da fiscalização tributária do PIX, que gerou muita discussão, propagação de desinformação e acabou não acontecendo após repercussão negativa.

A edição de janeiro também destacou a situação dos Estados Unidos com “a política monetária do governo Donald Trump, que infelizmente começou com a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, aquele tratado internacional que visa a combater o aquecimento global, uma notícia triste”, lamenta o professor. Ao mesmo tempo, abordou a situação da economia chinesa, que, segundo Lucas Serotini, aluno bolsista presidente da Esalq Finance, desacelerou no início do ano. O boletim trouxe os principais motivos para essa desaceleração, “como a menor demanda internacional por produtos da China, fraqueza na demanda doméstica, a crise do setor imobiliário chinês desde 2021, uma possível espiral deflacionária e também a política monetária chinesa”, explica.
Cenário em fevereiro
Para fevereiro, Serotini adiantou o destaque do boletim. “Nós escolhemos explicar o dólar e a variação cambial, a relação do câmbio entre real e dólar, explicar para os nossos leitores como o dólar realmente influencia na macroeconomia, mais especificamente brasileira. Então vamos falar sobre a conexão do câmbio com o endividamento público do Brasil, com a inflação, com a exportação, com a política monetária brasileira.”
O grupo reforça que o objetivo do boletim não é só apresentar análises sobre notícias macroeconômicas, mas também trazer para os leitores ensinamentos sobre o funcionamento da dinâmica da macroeconomia mundial. Por isso, a questão do dólar foi escolhida. “É um tema que nós ouvimos falar sobre ele todo mês, um tema muito importante, mas ainda a gente não tinha tido a oportunidade de explorar com mais profundidade”, acrescenta Serotini.

Produção do boletim
O boletim faz parte de um projeto da vertente Cultura e Extensão do Programa Unificado de Bolsas de Estudo da USP. Além de Lucas Serotini, conta com a participação de outros alunos. Os membros do grupo fazem uma rotação mensal “para que todos possam ter a experiência de analisar um pouco sobre cada economia e entender a dinâmica das três grandes economias que abordam nos boletim, Estados Unidos, China e Brasil”, explica Serotini.
De acordo com o professor Caixe, os alunos de administração devem desenvolver a habilidade de entender macroeconomia por uma relação direta com as áreas de finanças corporativas e finanças pessoais, áreas importantes para os estudantes de administração e ciências econômicas. “Os alunos que participam do boletim têm oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos em macroeconomia, entendendo os reflexos e as implicações que as alterações nessas variáveis macroeconômicas têm na forma como as pessoas e as empresas realizam seus investimentos e os financiam.” O professor acrescenta que a macroeconomia tem uma relação muito direta com as áreas de finanças corporativas e finanças pessoais, que são áreas muito importantes para os estudantes de administração e de ciências econômicas também.
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