“A Terramarear faz parte do meu imaginário como leitora”

Para a colunista Marisa Midori, que volta a falar da coleção que ajudou a fazer a fama da Companhia Editora Nacional, “Terramarear” já chegou com muita força ao mercado

 21/02/2025 - Publicado há 1 ano     Atualizado: 25/02/2025 às 7:42

Na última coluna, a professora Marisa Midori lembrou a importância de Monteiro Lobato para a renovação do mercado editorial brasileiro no final dos anos de 1910 e o centenário da Companhia Editora Nacional. Agora ela retoma o tema e vai além. “É claro que ele teve uma trajetória muito errática, sobretudo se considerarmos aqui apenas a figura do empresário, do editor, mas são inegáveis as suas contribuições e, mesmo a sua genialidade”, relembra a colunista. “Neste ano nós completamos os centenário da Companhia Editora Nacional. Se Monteiro Lobato foi o artífice da editora no seu início, a empresa esteve por quase todo o século 20 associada ao nome de Octalles Marcondes Ferreira. Mas o que eu gostaria, mesmo, de apresentar aqui é uma coleção que faz parte do meu imaginário como leitora e, creio, do imaginário de muitos de nossos e de nossas ouvintes. Eu me refiro à Coleção Terramarear”, indica a professora.

Segundo Marisa Midori, a coleção já chegou com muita força no mercado. “Em 1933, no seu primeiro ano de existência, ela já perfazia a segunda maior tiragem da editora, só perdendo para os livros didáticos. Passada uma geração, em 1957, a coleção somava 87 títulos. E são muitas as memórias relacionadas à coleção”, afirma ela, citando alguns autores-leitores que souberam aproveitar muito bem os títulos da coleção. “Sobre a Terramarear escreve Moacyr Scliar, na voz de um personagem de Os Voluntários: ‘Suas recordações conduzem-no de volta à infância, e às leituras feitas por recomendação do pai, um imigrante português: Foi ele quem me introduziu a Herculano, por exemplo. É verdade que depois preferiu os livros da Coleção Terramarear, a Ilha do Tesouro sendo o meu predileto’”, conta ela, antes de indicar mais um leitor voraz da Terramarear. “E, para finalizar, Marcos Rey, que formaria, mais tarde, uma nova geração de jovens leitores pela coleção Para Gostar de Ler: ‘Não me lembro qual foi o primeiro volume da Coleção Terramarear que me caiu às mãos, mas li a maioria, como milhões de jovens e adultos faziam. Alguns títulos estavam nas telas do cinema, como O Pimpinela Escarlate, A Ilha do Tesouro e o Capitão Blood‘”, finaliza a colunista.


Bibliomania
A coluna Bibliomania, com a professora Marisa Midori, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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