Marisa Midori discute o possível fim dos livros de bolso

Colunista fala sobre artigo no “The New York Times” que preconiza o fim desses livrinhos – mas ela não acredita nisso

 Publicado: 01/05/2026 às 7:05     Atualizado: 05/05/2026 às 7:39

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Em sua coluna mais recente, a professora Marisa Midori trouxe uma discussão importante para os bibliófilos: o livros de bolso vão acabar? “A jornalista Elizabeth A. Harris publicou um artigo muito preocupante no jornal The New York Times. O que ela afirma? Eu a cito: ‘Os livros de bolso, leves na mão e no bolso, que lotavam as livrarias dos aeroportos e as seções de mídia dos supermercados. Talvez você nunca mais compre um novo’. Sim, o artigo aponta o fim dos livros de bolso”, inicia a colunista. “E quais são as evidências que ela apresenta: best sellers que antes eram publicados em brochuras feitas com baixo custo de produção, em formato compacto e impressas em papel fino com margens estreitas, um tipo de livro que era vendido em prateleiras de arame nos supermercados ou nos aeroportos, por apenas alguns dólares, estão desaparecendo”, continua a professora. “Nos Estados Unidos os pocket books formaram muitos leitores. Stephen King recorda que ‘cresceu comprando livros de bolso de 35 centavos na farmácia’. Na verdade, os livros de bolso representam uma verdadeira revolução da cultura impressa desde a sua ascensão, no pós-Segunda Guerra Mundial”, conta Marisa Midori.

Mas, afinal, os livros de bolso estão perto do fim, como sustenta o artigo do The New York Times? A colunista segue com seus comentários a respeito. “É possível que as prateleiras de supermercados, farmácias, aeroportos e estações de trem não exibam mais em grande quantidade os livros de bolso. Da mesma maneira que hoje em dia é muito mais comum ver alguém lendo no celular nos transportes públicos do que livros impressos. Mas isso não significa que os livros de bolso acabaram. Eu acredito que um certo livro de bolso, muito ligado à cultura estadunidense, o chamado Pulp, que era impresso em um papel muito barato, este sim está com os dias contados”, afirma a colunista. “Mas isso não quer dizer que as pessoas não leem mais livros de pequeno formato. Isso quer apenas dizer que, com as novas tecnologias de produção de papel e, mesmo, de impressão, não há mais espaço para a produção editorial sustentada em papeis de má qualidade. Nesse ponto, eu acho que o artigo confunde formato editorial e elementos de enobrecimento editorial”, contextualiza a professora para, em seguida, acalmar os leitores. “Eu só acredito no fim do livro de bolso quando a Penguin Books tirar todos os seus pockets de catálogo. Afinal, como lemos no mesmo artigo, ‘os livros físicos ainda representam cerca de 75% das vendas de livros, de acordo com a Associação de Editores Americanos’. Os Pulps certamente não enriquecem essa estatística, mas há muito espaço para outras formas de pequeno formato nesse universo de leitores cada vez mais exigentes”, finaliza Marisa Midori.


Bibliomania
A coluna Bibliomania, com a professora Marisa Midori, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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