“Vibe coding”, uma nova forma de desenvolver softwares

“Uma coisa é certa: de todas as profissões atingidas pela inteligência artificial, nenhuma vai sofrer mais transformações do que o próprio desenvolvimento de softwares”

 21/03/2025 - Publicado há 12 meses

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Vibe coding, a programação pelo estilo, pelo jeitão ou pela pegada, parece mesmo uma coisa de festa, mas, na verdade, é uma revolução que daqui a pouco todo mundo vai falar”, diz o professor Luli Radfahrer sobre essa nova tendência, a qual, segundo ele, é uma nova forma de desenvolver softwares que depende muito da inteligência artificial, “em especial, dos grandes modelos de linguagem. A ideia é que o desenvolvedor, em vez de escrever linhas e mais linhas de código, em que ele não pode errar uma única letra, ele passe a se concentrar na grande ideia e possa discutir com o computador o problema que ele tem para resolver e a abordagem que ele imagina, enquanto a máquina vai produzindo linhas e linhas de código, ou seja, deixa para cada um a sua especialidade. O ser humano pensa e a máquina desenvolve o código sem nenhum erro”.

Diz ainda Radfahrer que a ideia não é substituir a programação, mas a capacidade de produzir protótipos rápidos. “A computação está cada vez mais sendo feita ou acelerada pelas máquinas. O uso de inteligência artificial tem várias vantagens. Primeiro, ele acelera o processo de desenvolvimento do software e ajuda a gerar um monte de protótipos. Então, é muito mais fácil construir coisas, porque você simplesmente vai dando ideias para a máquina e vai pegando os processos e emendando […]. Desde que surgiu a revolução do smartphone, quem nunca teve uma ideia de aplicativo? E agora você pode começar a colocar isso em prática para fazer uma aplicação pequena ou até para demonstrar para um desenvolvedor o que você imagina que você quer que a máquina faça. E, com isso, você começa a trazer para dentro do desenvolvimento de softwares uma revolução parecida com a revolução que o smartphone trouxe, quando ele deu para um monte de gente a capacidade de fotografar”, explica o colunista, antes de acrescentar que “o desenvolvedor passa a se concentrar mais na lógica geral, na experiência do usuário e nos aspectos de resolução de problemas, em vez de se perder com detalhes ou ficar desesperado tentando descobrir onde a máquina deu errado”.

Para concluir, Radfahrer diz que o vibe coding ainda é uma promessa e que a qualidade e a segurança do código ainda são uma incógnita, sem falar que a revisão pode levar mais tempo até do que o desenvolvimento. “Então, às vezes, muita gente prefere fazer do zero do que mandar a máquina fazer e depois ficar tentando entender se aquilo é seguro ou se aquilo funciona mesmo. Uma coisa é certa: de todas as profissões atingidas pela inteligência artificial, nenhuma vai sofrer mais transformações do que o próprio desenvolvimento de softwares.”


Datacracia
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP Jornal da USP e TV USP.

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