Cidade é espaço do conflito

Especialistas discutem o uso do espaço público e a legitimação de manifestações sociais no “Diálogos na USP”

Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail

Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente, cerca de 85% da população nacional vive em áreas urbanas, número que gira em torno de 185 milhões de cidadãos. Este grande aglomerado de indivíduos é responsável pela utilização dos espaços públicos das mais diversas formas — manifestando-se, locomovendo-se, divertindo-se e trabalhando. Como conciliar o espaço público com a demanda dos indivíduos? A questão é pauta de debate entre o professor Guilherme Wisnik, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), e Ana Fani Alessandri Carlos, professora titular da Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), no programa Diálogos na USP — Os Temas da Atualidade.

Baseados em um contexto histórico, os especialistas analisaram as ocupações dos espaços públicos partindo da Antiga Grécia. Ambos concordaram que o local urbano é o responsável por estabelecer o sentido daquilo que é cidade. Os conflitos sociais, por sua vez, foram vistos como algo necessário às metrópoles — neste caso, a palavra conflito não sugere uma guerra, mas sim, desentendimentos entre diferentes nichos da população. Tais desentendimentos, na perspectiva dos professores, representam que os espaços urbanos estão sendo utilizados. A imigração também foi apontada como peça chave na urbanização de uma metrópole, responsável pela criação das diferenças.

Guilherme Teixeira Wisnik e Ana Fani Alessandri Carlos no programa Diálogos na USP – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Durante o debate, as manifestações foram analisadas e consideradas legítimas. Segundo a professora Ana Fani, elas são o princípio da cidadania, a forma que o indivíduo encontra para elevar suas experiências pessoais à esfera pública. Por isso, locais exclusivos para protestos e manifestações culturais, como os “grafitódromos”, propostos pelo prefeito João Doria, tornam-se insustentáveis e incoerentes. Aproximando-se da capital paulistana, o professor Wisnik apontou um amadurecimento social da cidade quanto ao espaço urbano. Também foram questionados os gerenciamentos dos planos de empreendedorismo. “São Paulo deve ser pensada acerca de seus problemas, como a desigualdade social, e não como um local para se retirar lucros.”

Para concluir, os professores abordaram a falta de espaços públicos utilizáveis em São Paulo, provando um estranhamento existente na relação cidade-cidadão e uma desilusão quanto ao entendimento do que é um local urbano. “Os ‘rolezinhos’ provaram que, ao contrário do que o paulistano pensava, shoppings centers não são locais de encontros urbanos, legítimos espaços públicos”, conclui Ana Fani.

O programa Diálogos na USP – Os Temas da Atualidade vai ao ar ao vivo, sempre às sextas-feiras, às 11 horas, pela Rádio USP. Confira o áudio na íntegra acima:

 

 

Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail

Textos relacionados