
A Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais emitiu um alerta epidemiológico após o aumento de casos e mortes por febre maculosa naquele Estado. Marco Aurélio Ferreira, mestre em Entomologia em Saúde Pública e doutorando pela Faculdade de Saúde Pública da USP, que estuda a doença, ressalta que fatores ambientais e comportamentais explicam a expansão da febre maculosa na região.
Ele destaca que a expansão urbana sobre áreas de mata e margens de rios intensifica o contato entre a população e o carrapato-estrela, principal vetor da febre maculosa em Minas Gerais. O crescimento das populações de capivaras — hospedeiros primários desse carrapato —, aliado ao desmatamento e às condições climáticas favoráveis, contribui para o aumento do vetor. Atividades de lazer em ambientes naturais, muitas vezes sem medidas de proteção, também elevam o risco de exposição.

O pesquisador ressalta que a transmissão ocorre apenas pela picada de carrapatos infectados por bactérias do gênero Rickettsia. Não há transmissão direta entre pessoas. A infecção depende do tempo de fixação do carrapato na pele.
No Brasil, a forma mais grave da doença é causada pela Rickettsia rickettsii, transmitida por espécies como o Amblyomma sculptum (carrapato-estrela) e o Amblyomma aureolatum (carrapato-amarelo-do-cão). Já a Rickettsia parkeri, predominante na Mata Atlântica, provoca quadros mais leves e é transmitida pelo Amblyomma ovale.
Sintomas
Os sintomas surgem entre dois e 14 dias após a picada e começam de forma semelhante a uma gripe forte: febre alta, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos. Posteriormente, aparecem manchas vermelhas que se iniciam nas mãos e pés e se espalham pelo corpo. Nos casos graves, pode haver inchaço, necrose e insuficiência respiratória. A doença é grave, e o atraso no diagnóstico aumenta a letalidade, que pode ultrapassar 50%. A semelhança com doenças como dengue e leptospirose dificulta a identificação precoce.
O tratamento deve ser iniciado imediatamente após a suspeita, antes mesmo da confirmação laboratorial. A rapidez é fundamental para reduzir o risco de morte. A prevenção inclui o uso de roupas claras, calças compridas e botas ao visitar áreas de risco, evitando vegetação alta. Ao retornar, é essencial examinar o corpo, as roupas e os animais de estimação. Remover o carrapato rapidamente diminui a chance de infecção.
Em áreas onde cães são hospedeiros, recomenda-se mantê-los dentro de casa e restringir o acesso a áreas de mata. Os antibióticos usados no tratamento estão disponíveis no SUS e são altamente eficazes quando iniciados precocemente.
O professor destaca que a vigilância contínua é essencial para controlar a doença. As medidas envolvem manejo ambiental, roçada, limpeza, redução de áreas favoráveis ao carrapato, controle populacional de hospedeiros e ações de educação em saúde. A suspeita clínica precoce e o tratamento imediato são pontos-chave para evitar complicações e óbitos.
Jornal da USP no Ar
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular.


























