
A Linguagem Natural (LN) é repleta de regras e ambiguidades, portanto analisar educação e linguística no ensino de línguas é fundamental, para que os alunos tenham uma visão crítica e social da linguagem para o desenvolvimento das suas competências comunicativas.
Essa análise vai além da gramática tradicional, atuando como instrumento de interação, reflexão sobre o mundo e expressão de ideias, tendo como intuito levar os estudantes a compreenderem a língua materna e estrangeiras.
Para estudar a Linguagem Natural (LN) nasceu a Linguística, ciência autônoma no início do século 20 com a publicação do Curso de Linguística Geral, de Fernando de Saussure, organizado por seus alunos Bally e Sechehaye e publicado postumamente em 1916.
Esse cientista é reconhecido como “pai” da linguística moderna, pois introduziu uma abordagem estruturalista e sistemática ao estudo da linguagem humana, estabelecendo-a como uma disciplina distinta e com seus próprios objetos e métodos de estudo.
Saussure diferenciou língua, como sistema abstrato de signos linguísticos e fala que é realização deste sistema, dividindo-a em a linguística teórica e aplicada.
A teórica se dedica a descrever e explicar o funcionamento dos sistemas linguísticos, com fo co nos aspectos fonéticos, fonológicos, morfológicos, sintaxe, semântico, léxico e pragmáticos uni versais da comunicação humana.
A linguística aplicada (LA) é campo transdisciplinar que utiliza teorias e métodos da ciência linguística a outras áreas, como sociologia, educação, filosofia, ensino de línguas, políticas linguísti cas, tradução, interpretação, comunicação em saúde, linguística forense, entre outras questões com plexas da linguagem humana para promover justiça social.
Nos anos de 1980 surgiu a linguística cognitiva que se distingue com um novo paradigma da linguística tradicional, uma vez que enfatiza a relação entre linguagem e cognição, sendo o ambi ente fundamental na construção da linguagem.
A linguística cognitiva se beneficiou dos estudos de Alexander Luria , psicólogo russo (1902/1977) sobre neurociências e psicologia, realizados durante a Segunda Guerra Mundial. Esses estudos investigaram as funções psicológicas e seu funcionamento cerebral, analisando o cérebro como um sistema complexo, desenvolvendo o conceito de neuroplasticidade, ou seja a capacidade do cérebro de se reorganizar e adaptar em resposta a estímulos e lesões.
Luria analisava a linguagem em contexto de disfunção cerebral, contribuindo para a compreensão do cérebro, como um sistema funcional dinâmico, onde as funções mentais superiores emergem da atividade integrada de diferentes regiões cerebrais e não de um local isolado. A integração dessas funções foram enfatizadas por esse cientista, pois são importantes para a formação de funções psicológicas superiores, que são processos mentais complexos e intencionais, como pensamento, linguagem, memória e consciência, a partir da interação com o ambiente social e histórico. Consequentemente sua postura teórica trouxe uma nova perspetiva à neuropsicologia e à com preensão do funcionamento mental humano.
Não há uma ligação direta e central ente os estudos de Luria e a linguística cognitiva, porém os princípios de ambos podem ser relacionados, pois a linguística cognitiva estuda como a língua gem reflete as funções cognitivas normais, como a conceitualização e a categorização. Ressalta assim, a forma como os sistemas cognitivos moldam a linguagem, tanto individual quanto coletiva.
Ambas enfatizam o papel da experiência, da cognição e da interação social na construção da linguagem, permitindo os seres humanos expressar pensamentos, ideias, emoções, por meio de sím bolos, palavras e gestos que refletem a experiência do mundo.
Integrantes da ciência Cognitiva, há a linguística gerativa e a inteligência artificial (IA).
A linguagem gerativa influenciou a pesquisa em IA, especialmente em processamento de linguagem natural.
Embora a linguística gerativa seja um conceito linguístico, e a IA seja um campo da ciência da computação, ambos surgiram aproximadamente na mesma época de 1950. A linguagem gerativa é defendida pelo linguista e filósofo Noam Chomsky, estadunidense, professor de linguística do Massachusetts Institute of Technologye (MIT). Para esse cientista, a linguagem gerativa não é resultado da experiência, mas sim algo inato, pois a mente é uma espécie de computador, sendo uma ciência como a física ou a biologia e faz parte do mundo natural.
Todos os seres humanos nascem com a gramática universal internalizada, ou seja, os princí pios básicos da linguagem são inatos e universais.
A partir daí, ocorre apenas sua aprendizagem na mesma idade, independente da capacidade cognitiva e apesar das diferenças culturais.
Portanto, é essa capacidade inata que permite reconhecer os dados , processá-los cognitiva mente e desenvolver uma língua.
Em 1967, as estruturas sintáticas propostas por Noam Chomsky, com base em suas obras co mo Aspects of the Theory of Syntax focavam na ideia de uma gramática transformacional que des crevia a linguagem por meio de uma estrutura profunda e uma estrutura superficial de uma frase.
A estrutura profunda é a representação abstrata e subjacente do significado de uma frase. Ela contém a informação semântica básica e as relações gramaticais fundamentais, que determina o significado de uma frase.
A estrutura superficial é a forma concreta e observável da frase, com a ordem das palavras e a morfologia, sendo resultado da aplicação de transformações à estrutura profunda. Nos exemplos “Maria comprou um carro” e “O carro foi comprado por Maria”. Ambas são as mesmas, uma vez que têm o mesmo significado, pois se têm duas estruturas superficiais diferentes, visto que é a “gramática” que gera a forma linguística observável.
Portanto, pela teoria de Chomsky, a linguagem humana tem uma estrutura profunda universal, com variações na estrutura superficial, por meio de regras transformacionais. Essa distinção ajuda a explicar como uma mesma ideia pode ser expressa de diferentes maneiras.
Por conseguinte, é um sistema criativo, permitindo que os falantes produzam um número infinito de frases a partir de um conjunto finito de regras, que permite um número ilimitado de frases gramaticalmente corretas por meio de regras transformais, conhecida como Teoria Padrão.
Se compararmos a Teoria Gerativa de Chomsky com as teorias de Luria, Vygotsky, Skinner e Piaget há diferentes enfoques em relação o desenvolvimento da linguagem e cognição. Chomsky foca na capacidade inata e na gramática universal da linguagem, enquanto Luria estudou a linguagem e o pensamento em relação às funções do cérebro, a neuroplastia e seu desenvolvimento histórico-social.
Chomsky e a Teoria Sócio-Construtivista de Vygotsky, psicólogo russo (1896/1934), diferem sobre o papel da natureza e do ambiente no desenvolvimento da linguagem, pois o primeiro defende que a capacidade linguística parte da capacidade inata presente em todo ser humano, enquanto Vygotsky concebe o ser humano como ativo na construção do conhecimento, sendo que a linguagem é aprendida no meio social e cultural, permitindo a organização mental e a compreensão do mundo.
Em relação a Skinner, Chomsky apresenta pontos de vista opostos sobre a aquisição e o funcionamento da linguagem, criticando a visão behaviorista (comportamental) de Skinner. Em 1959, foi a época em que houve um debate entre cognitivista e behavioristas que contribuiu para o declínio do behaviorismo, pois essa Teoria Comportamental não conseguia explicar a Geratividade da Linguagem e a capacidade humana inata de aprender regras linguísticas.
Em debate ocorrido em 1975 na Abadia de Royaumont entre Chomsky e Jean Piaget, biólogo e psicólogo suiço (1896/1980), os dois discutiram sobre a natureza do desenvolvimento da linguagem e da cognição. A divergência principal foi sobre a abordagem entre o inato e o ambiental.
A Teoria Construtivista de Piaget enfatizava a construção do conhecimento por meio da interação ativa da criança com o ambiente. Descreve os estágios cognitivos sequenciais e fixos pelos quais todas as crianças passam, ou seja sensório-motor (do nascimento aos 2 anos), pré-operacional (dos 2 aos 7 anos), operatório concreto (dos 7 aos 11/12 anos) e operatório formal (a partir dos 12 anos).
Nesses estágios, a criança constrói ativamente seu conhecimento, passando por transformações qualitativas na forma como pensa e compreende o mundo, em uma sequência que não pode ser pulada, considerando a linguagem como uma consequência do desenvolvimento cognitivo, surgindo após certos estágios de pensamento.
Nessa mesma época, inaugurou-se a disciplina da inteligência artificial tradicional (IA) ramo da Ciência da Computação e da Linguística Computacional que se concentra na criação de computadores e máquinas que podem raciocinar, aprender e atuar de maneira que normalmente exigiria inteligência humana ou que envolve dados com escala maior do que as pessoas podem analisar. É um campo amplo que abrange muitas disciplinas diferentes, como ciência da computação, estatísticas e análises de dados, engenharia de hardware e software, linguística generativa, neurociência e até mesmo filosofia e psicologia..
A IA subdivide-se em duas vertentes: a fraca e a forte
A fraca contenta-se em simular o comportamento inteligente como refere Alan Turing (1912/1954), matemático britânico e seu grande feito foi a criação da Máquina de Turing, invenção automática que propôs um teste para determinar se uma máquina é capaz de pensar.
Entretanto, esse teste representa uma máquina pensante, na medida em que consegue enganar uma pessoa, quando há uma interação verbal apenas por meio de terminais de computadores. A forte reproduz total ou parcialmente a mente humana, em técnicas como Machine Learning (aprendizagem automática) e Deep learning (aprendizagem profunda).
Machine Learning identifica padrões de grandes volumes de dados, com objetivo de fazer previsões ou tomar decisões e seu desempenho melhora à medida em que são expostos a mais dados. Centraliza-se no desenvolvimento de algoritmos, ou seja um conjunto finito e bem definido de instruções lógicas para realizar uma tarefa específica ou resolver um problema.
Deep learning, ou aprendizagem profunda, utiliza redes neurais artificiais com múltiplas camadas, para que os computadores “aprendam” a tomar decisões com base em grandes volumes de dados não estruturados, como imagens, texto e voz sem interferência humana. Ambas permitem os computadores a melhorarem, a partir de dados com a experiência, sem serem explicitamente progra mados para cada tarefa.
A IA Generativa é um subcampo focado na criação de conteúdo novo e original, como texto, imagens, música, código e vídeos, a partir dos dados com que foi treinada. A principal diferença entre ambas está no objetivo, ou seja a IA tradicional (ou preditiva) é so bre análise e previsão, enquanto a IA generativa é sobre criação.
O ChatGPT é exemplo perfeito de IA Generativa, pois combina diversas informações sobre o mesmo assunto para trazer uma resposta pronta a uma pergunta, gerando um conteúdo ou resposta sob medida, como textos, imagens, ou códigos, os chamados prompts.
Portanto, a inteligência artificial (IA) é campo abrangente,voltada para tarefas como análise, classificação e resoluções com base em regras pré-definidas que analisa dados existentes para clas sificar informações ou prever resultados. A IA e a linguística consolidar-se-ão mais tarde, numa nova disciplina, a linguística computacional, de maneira completa e eficiente, se assemelhando ao cérebro humano.
É uma ferramenta poderosa, pois apresenta capacidade de apresentar grandes quantidades de dados complexos, gerados de grande volume de forma rápida, identificar padrões complexos e au tomatizar tarefas precisas.
Entretanto, apesar dessa evolução tecnológica, pesquisadores, na área de inteligência computacional, têm se dividido, quanto à possibilidade de máquinas serem capazes de pensar da mesma for ma que os humanos, pelas diferenças entre a estrutura, funcionamento dos computadores e do cérebro humano.
Para o cientista Noam Chomsky e seus colaboradores, Ian Roberts e Jeffrey Watumull, os avanços “supostamente revolucionários” apresentados pelos desenvolvedores da IA, recomendam não confiar totalmente em tudo que produzem, uma vez que não são realmente inteligentes, pois carecem de capacidade de raciocinar, limitando-se a reproduzir informações, ao invés de inovar ou gerar pensamento crítico.
Assim sendo, há falta de ponderação moral, pois são incapazes de distinguir o que podem ou não fazer, além de extrapolar verdades, quanto falsidades, podendo cair em declarações extremistas e polêmicas, causando grande quantidade de fake news, bem como favorecer agitadores no mun do digital, como por exemplo os gratuitamente designados de “influencers”.
Nessa mesma posição se coloca Luciano Floridi, filósofo italiano conhecido pelo seu trabalho pioneiro no campo da Filosofia da Informação e da Ética da Informação. Atualmente é diretor e fundador do Centro de Ética da Universidade de Yale, onde é professor do Programa de Ciência Cognitiva.
Floridi vê a inteligência artificial (IA) como uma forma de entidade capaz de “agir” e causar “efeitos”, mas não com consciência ou entendimento como os humanos, como se fosse inteligente, mas funciona justamente porque o seu “agir” está separado do “entender”.
Diz ele:
“[…] a inteligência artificial é inteligência ‘reprodutiva’ e não ‘cognitiva’ […] é eficiente porque o seu agir está separado da inteligência […] a tarefa que ela realiza é inteligente para nossos critérios cognitivos, mas não é inteligente para a máquina projetada que realiza de acordo com as teorias físicas mais avançadas […] para obter uma inteligência não inteligente, mas se comporta como se fosse, devemos investir muito na inteligência biológica (a nossa) na projeção dos problemas e, no caso da inteligência artificial projetar significa essencialmente ‘lucidar’ e ‘envolver’ […] em extrema síntese, a inteligência artificial é uma questão de design. Design do jo go e do ambiente para jogar”.
Porém, a IA não deve ser vista somente com pontos negativos, mas também como uma ferra mente poderosa que pode complementar e potencializar as capacidades humanas, ou seja, transfor mar, mas não substituir as tarefas e profissões completamente.
Atualmente, a IA é muito usada num grande número de atividades, como transcrição, bancas, produção, tradução, entre outras funções que têm revolucionado a forma como diferentes culturas e línguas se comunicam. Poderá criar novas oportunidades de emprego e exigirá novas habilidades, interpretando dados, resolvendo problemas, raciocinar, planejar e conceber ideias complexas e apli car o conhecimento de forma crítica ativa.
Outra importante evolução da IA são as Aplicações das Tecnologias Digitais e Comunicação (TDCIs), ferramentas que utilizam o computador e a internet para mediar a comunicação e o acesso a informação. Envolvem celulares, lousas digitais, entre outros meios tecnológicos.
Com base na importância das TDCIS é necessário discuti-la no contexto educacional, pois o mundo está cada vez mais digital. Para acompanhar essa evolução é fundamental preparar os edu candos para este futuro, pois promovem o engajamento, a aprendizagem significativa, bem como o desenvolvimento do pensamento crítico, alinhando a escola à realidade digital contemporânea.
Na sala da aula torna o aprendizado mais dinâmico, aproximando o conteúdo da realidade dos alunos, ajudando-os a desenvolver habilidades essenciais para o século 21, como o letramento di gital que é um misto da oralidade e escrita.
O letramento digital utiliza signos não verbais, como “emoticons”, que não é apenas informal, mas um conjunto complexo de elementos que refletem a cultura, o cognitivismo e a criatividade, adaptando-se ao contexto, à capacidade de pesquisa e resolução de problemas. Torna as aulas mais dinâmicas, comunicação mais rápida e eficiente com vasta gama de recursos educacionais, como vídeos, artigos, jogos, possibilitando não só enriquecer a aprendizagem, mas também auxiliando a inclusão de alunos com dificuldades na aprendizagem.
Portanto, essa tecnologia facilita a organização de cursos, realização de atividades entre alunos e professores, além da criação de grupos de estudo, troca de informações e discussão de temas importantes. Envolve, portanto a utilização de computadores, softwares, plataformas on-line entre outras tecnologias para apoiar atividades pedagógicas e promover a interação entre professores e alunos, otimizando a aprendizagem.
A inteligência artificial, para ser útil à educação, é fundamental que todos os alunos tenham acesso igualitário a esta tecnologia e às ferramentas digitais, com acesso a materiais educativos e re cursos de aprendizagem, adaptados com conteúdos e desafios personalizados. Para isso, é necessário que os educadores recebam formação adequada em inteligência artificial, não somente à criação de planejamento de aula, avaliação, mas também utilizá-la de forma pedagogicamente eficaz em sala de aula, com foco na ética, segurança para desenvolvimento de cidadãos críticos e com cons ciência social.
Entretanto, é preciso frisar que o uso eficaz das TDCIs na educação, também apresenta desafios, pois nem todos os alunos têm acesso igualitário a essa tecnologia e à internet, podendo ampliar a desigualdade social, além de questões relacionadas à segurança e privacidade dos dados e informa ções pessoais dos educandos.
Logo, para evitar os problemas acima citados, é necessário ter um letramento consolidado, que vá além do simples domínio da técnica de ler e escrever, mas ter a capacidade de compreender, interpretar e produzir textos em diferentes contextos e situações de maneira adequada, eficiente para o desenvolvimento pessoal, profissional e participação ativa na vida social e política.
Isso envolve a capacidade de “ler” o mundo, de intervir sobre ele por meio da linguagem, buscando incluir as realidades dos alunos na sala de aula e valorizar a diversidade dos discursos, ou seja um olhar crítico o que é ruim ou correto na linguagem natural.
A linguística incentiva a reflexão sobre língua e linguagem, pois utiliza os conhecimentos da linguística para embasar o ensino, reconhecendo que a língua não é neutra, mas prática social per meada por relações de poder e ideologias, levando os alunos desvendá-las presentes no texto.
É importante questionar o foco exclusivo na gramática tradicional e na “norma culta”, que po dem limitar a criatividade e o diálogo em sala de aula, especialmente quando usada para silenciar questionamentos dos alunos.
Os erros ocorridos na gramatica devem ser corridos por meio de instrumentos de aprendizagem que levam os alunos a fazerem a sua própria correção, assim haverá uma aprendizagem efetiva. Ao invés de apenas reconhecer “o sujeito das orações”, a educação linguística busca dar espaço para que os alunos desenvolvam suas próprias “histórias”, para que suas vozes sejam ouvidas. O objetivo é provocar o aluno a desconfiar do que é naturalizado como “normal” na língua e na socieda de, compreendendo que discursos e representações são construções sociais.
Refletir sobre as limitações da IA na Educação e a necessidade de uma compreensão mais pro funda da linguística, letramento consolidado, raciocínio lógico-matemático avançará para um futu ro, onde as tecnologias não apenas previnem fraudes, mas também possibilitam uma comunicação mais rica, significativa. e crítica.
Daí a importância de estudar a Linguística Teórica Tradicional e Aplicada de Saussure, a Linguística Gerativa de Chomscky, Linguística Cognitiva e o Desenvolvimento Humano e Linguagem, baseadas na Teoria Cognitiva de Piaget e na Teoria Sócio-Interacionista de Vygotsky, importantes para o desenvolvimento e construção do conhecimento e linguagem com precisão.
Essas ciências e teorias ajudam a entender a aquisição e a evolução das línguas, suas variações, e a relação entre linguagem e identidade de diferentes grupos sociais, sendo fundamental para áreas como a educação, o direito, a inteligência artificial e a comunicação.
Todos os aspectos das Teorias Linguísticas relacionadas neste artigo serão utilizadas na Linguística Computacional de forma pensante, crítica, questionadora, avaliando informações de forma ética e responsável, mesmo as geradas pela IA.
Outro aspecto importante é evitar a dependência excessiva dessa tecnologia para garantir que seja usada somente, como ferramenta para complementar o aprendizado e não substituir o professor e as teorias sobre o desenvolvimento humano da inteligência natural.
Atualmente é capaz de superar os humanos em determinadas tarefas especificas, como jogos de tabuleiro complexos e reconhecimento facial, além de poder ser usada na gestão de pessoas, como automatizar tarefas administrativas, recrutamento e seleção de candidatos. Portanto, avança rapidamente e se integra em diversas áreas da vida, gerando preocupações sobre o futuro do trabalho e o papel dos humanos na sociedade.
Entretanto, ainda tem limitações, pois não pode substituir a empatia, criatividade, ética, origi nalidade e os pensamentos dos seres humanos.
Ter preocupação com avanço da IA, mas não com o retrocesso da inteligência natural, que é produzida pela natureza, enquanto o computador é produzido pelas mãos do homem. Conclui-se que IA não vai substituir completamente os seres humanos, mas sim transformar a forma como trabalhamos e vivemos, potencializando nossas habilidades e capacidades, melhorando a comunicação e a compreensão, em vez de apenas automatizar processos.
Portanto, a IA pode, de fato, ter um papel importante na compreensão da linguagem humana, mas apenas se os pesquisadores abordarem o problema de forma interdisciplinar, ou seja integrar, como diz Chomsky “conhecimentos da linguística, psicologia e ciências da computação”.
É importante frisar que a criança aprende a linguagem, porque o ambiente em que está inseri do proporciona tal aprendizagem. Caso não tenha esse estímulo a criança não a desenvolve. A comprovação disso são as crianças que cresceram no convívio com animais não humanos. Elas não apresentam, nem linguagem, nem comportamentos humanos se não houver interações entre si, cultura e ambiente.
Daí se concluir que a aquisição de linguagem é inata, pois o ser humano tem um cérebro com competência para desenvolvê-la pela interação social e cultural, levando-o a pensar, caso contrário o domínio da IA será usado como ferramenta para ludibriar a inteligência humana na vida social e política do mundo, como pode ser observado principalmente nas redes sociais.
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