Palestra na USP debate avanços e retrocessos do processo de reconciliação em Moçambique

Pesquisadora e autora de livro sobre o tema questiona a ideia de que o país esteve em algum momento reconciliado; o encontro acontecerá nesta sexta-feira, às 14 horas, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP

 Publicado: 26/03/2026 às 17:21
Autoridades em palco durante cerimônia oficial assinam acordo sobre uma mesa com a inscrição “Paz Definitiva – Acordo de Maputo”. Ao fundo, bandeira de Moçambique. Dois homens sentados assinam documentos enquanto alguns os auxiliam e outros observam e olham para os lados com expressões alegres.
Assinatura do Acordo de Maputo de Paz e Reconciliação Nacional em 2019 – Foto: Flickr

 

No próximo dia 27 de março, às 14 horas, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) receberá a palestra sobre o livro Reconciliation Operationalized in Mozambique: Charting Inclusion, Truth, and Justice, 1992–2022. A obra traça um panorama sobre o processo de reconciliação em Moçambique, desde a assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992 até a atualidade, evidenciando avanços e retrocessos ao longo dos anos.

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A reconciliação de Moçambique constitui um processo contínuo de construção da paz com estreitos laços com outros processos, como o de DDR (Desarmamento, Desmobilização e Reintegração), em resposta às sucessivas guerras que assolaram o país, desde a guerra civil (1977-1992).

O encontro consiste numa discussão e conversa com Natália Bueno, autora da obra lançada em 2024 e pesquisadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal. Ao longo do livro, Natália questiona a ideia de que Moçambique alguma vez esteve reconciliado e propõe uma conceitualização operacionalizável de reconciliação que envolve as dimensões de inclusão, verdade e justiça. Essas dimensões dão origem a dez indicadores que podem ser rastreados empiricamente.

Segundo Bueno, a proposta de uma nova conceitualização para reconciliação parte da identificação de lacunas na literatura sobre o tema. “De forma simplificada, uma análise aprofundada e ampla da literatura de reconciliação mostrou a falta de consenso sobre seu significado: por um lado, o fato dos conceitos existentes serem demasiados teóricos – ou seja, sem uma fácil tradução para a empiria– e, de outro, a existência de conceitos demasiado minimalistas ou maximalistas”, afirma a pesquisadora.

Para ela, esta nova abordagem também pode ser utilizada para analisar outros casos e países com passados violentos – tanto de casos de guerra civil quanto de regimes ditatoriais.

O evento é uma realização do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (Nupri) e do Centro de Estudos em Conflito e Paz (CCP), ambos da USP. O encontro será realizado na sala 2053 – sala do Conselho do Departamento de Ciência Política – do Prédio das Ciências Sociais da FFLCH.

O evento será em português e não há necessidade de inscrição prévia. A emissão do certificado será realizada mediante solicitação à organização do evento.


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