Parceria entre escola e universidade impulsiona desempenho em olimpíadas de matemática

A EMEF Desembargador Amorim Lima, no bairro do Butantã, em São Paulo, recebe estudantes do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da USP para colaborar no planejamento das atividades pedagógicas. Iniciativa resultou em medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas

 Publicado: 23/03/2026 às 15:19
Estudantes numa sala de aula sentados e jogando jogos de tabuleiro e um professor olhando
Estudantes em visita pedagógica no Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação – Foto: Divulgação/SME SP

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Uma parceria entre o Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação (IME) da USP e a Escola Escola Municipal de Educação Fundamental (EMEF) Desembargador Amorim Lima, que fica no bairro do Butantã, em São Paulo, tem contribuído para melhorar o desempenho dos estudantes em matemática. Na última edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), a escola conquistou 12 medalhas na etapa estadual e 8 na nacional, além de duas premiações de professoras, um reconhecimento na categoria Escolas Públicas e 12 menções honrosas.

Um dos pontos-chave para o desempenho da escola foi a colaboração com o IME, por meio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). A iniciativa leva estudantes de licenciatura da Universidade até a unidade escolar para vivenciar o cotidiano da escola e colaborar no planejamento das atividades pedagógicas. Além da presença dos estudantes universitários na unidade, os próprios alunos da escola visitaram o instituto da USP em outubro de 2025. A saída pedagógica, chamada de Virada da Matemática Amorim IME-USP, foi importante para aprofundar o aprendizado de uma forma lúdica e interativa, com jogos e desafios que ampliaram o pensamento lógicos dos estudantes.

A atuação dos universitários está no contexto do Currículo da Cidade, documento que orienta as práticas pedagógicas da educação paulistana. Diferente do modelo tradicional de recepção passiva, a metodologia adotada na escola trata o estudante como agente da construção do conhecimento, que inclui uma abordagem que valoriza o raciocínio, a investigação e a construção gradual do conhecimento no componente de matemática.

“Errar faz parte da aprendizagem. A ideia de que só quem tem talento aprende matemática é substituída pela compreensão de que existem diferentes caminhos para aprender”, afirma Lilian Ianishi, professora premiada pela organização da olimpíada ao lado da colega Amanda Braga. O foco na resolução de problemas e na investigação diminui a frustração e valoriza as estratégias individuais de cada aluno, de acordo com a professora.

Qualificação das aulas

Para a diretora da escola, Ana Elisa Pereira Flauqer de Siqueira, a parceria com a USP contribui com novos olhares pedagógicos, fortalece a aproximação com o ponto de vista dos estudantes e qualifica o planejamento das práticas em sala de aula, ampliando as estratégias de ensino e aprendizagem. 

Já para o professor do IME, Roberto Marcondes, a parceria com as escolas públicas tem um papel importante para a formação de futuros professores e fortalecimento do ensino de matemática nas escolas. “Ao participarem do cotidiano da sala de aula e desenvolverem atividades com os estudantes, nossos licenciandos ajudam a criar um ambiente mais estimulante para a aprendizagem e para o desenvolvimento do raciocínio matemático”, destaca.  

A ação complementa o trabalho dos estagiários que já atuam na rede por meio dos programas Parceiros da Aprendizagem, no qual o estagiário colabora no processo de alfabetização com crianças do 1º ano do Ciclo de Alfabetização, e Aprender sem Limite, que oferece apoio ao professor regente no atendimento dos estudantes com deficiência e com transtorno do espectro autista. 

Saber integrado

Os resultados na OBMEP têm sido atribuidos à combinação entre o Projeto Político Pedagógico, as diretrizes do Currículo da Cidade e as práticas realizadas em sala de aula, demonstrando que a combinação entre autonomia estudantil, mediação qualificada dos docentes e cultura de investigação gera aprendizagem consistente. 

O trabalho pedagógico envolve a integração entre as áreas do conhecimento. Professores articulam práticas que conectam conteúdos a situações do cotidiano, por meio de projetos interdisciplinares. A proposta entende a matemática como parte de um saber integrado e a utiliza para interpretar dados, comparar informações e analisar problemas reais, em diálogo com temas como sustentabilidade, educação digital e direitos humanos.

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Texto adaptado da Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo


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