Ataque de Israel-EUA ao Irã divide a extrema direita europeia

A ofensiva contra Teerã expõe divergências estratégicas e ideológicas entre líderes e partidos ultranacionalistas do continente.

 Publicado: 13/03/2026 às 6:28     Atualizado: 16/03/2026 às 14:04

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Que me desculpem os teóricos puristas, mas “extrema direita” não é uma mera definição ideológico-partidária, e sim uma grave patologia. Moral e mental. No seu bojo está o que há de pior na humanidade: racismo, homofobia, gangsterismo, o culto ao sadismo, o desprezo pela vida, pela arte, pela liberdade individual. Sim, contra a livre escolha.

Não é à toa que os Ur-fascistas (na definição de Umberto Eco) invoquem um travesti de religião para justificar suas agressivas posturas antiaborto e contra a morte assistida (eutanásia).  Para eles, o corpo da mulher não pertence a ela. E a agonia de um doente terminal, que implora pelo término de seu suplício, parece lhes causar um prazer mórbido.

Olhem Hitler. Olhem Putin (que aprovou, há alguns anos, uma lei que faculta ao marido espancar impunemente a esposa, vide podcast que já publicamos). Olhem mais perto, para Trump (segundo declaração, nesta semana, do economista Jeffrey Sachs, apenas um “idiota”, um psicopata de baixo calão).

Mas o insano e descontrolado ataque dos EUA e Israel contra o Irã, que já cobrou milhões de dólares e milhares de vidas de civis iranianos e libaneses, traz um benéfico efeito bumerangue: está dividindo e esfacelando a extrema direita europeia. Nigel Farage, fundador do partido de extrema direita Reform UK, apoia a guerra, assim como o Vox, da Espanha (cujo primeiro-ministro socialista Pedro Sanchez é um oásis de lucidez e coragem).

Já o copresidente da Alternative fur Deutschland (AFD) não mede críticas a Trump (que chama de “presidente da guerra”), secundado por outro Markus Frohnmaier, principal candidato da AFD para as eleições estaduais, que afirmou não ser do “interesse da Alemanha” experimentar “novos fluxos migratórios” oriundos do conflito. Idem Marine Le Pen, que chegou ao cúmulo (do ponto de vista fascista) de criticar a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela em janeiro: “A soberania dos Estados nunca é negociável”.

A extrema direita europeia começa a se engalfinhar: França e Alemanha hesitam em seu apoio à guerra, enquanto Inglaterra e países que viveram sob o tacão do stalinismo são pró-estadunidenses. A tendencia é que as divisões se aprofundem. Uma Internacional Fascista é um pesadelo que não acontecerá.


Conflito e Diálogo
A coluna Conflito e Diálogo, com a professora Marília Fiorillo, vai ao ar quinzenalmente sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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