O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu liminarmente a liberação de novos alvarás para a demolição de imóveis, construção de novos edifícios e corte completo de árvores. Embora ainda em forma de liminar, a professora Raquel Rolnik considera tal decisão – que faz parte de uma revisão do Plano Diretor implantado em 2024 – como histórica. O plano em questão era pródigo na liberação de construções de edifícios mais altos em áreas localizadas próximas ao metrô ou dos corredores de ônibus e estações de trens. Desde que todo esse processo teve início, diz Raquel Rolnik, cerca de dez imóveis são demolidos diariamente na cidade de São Paulo.
A colunista diz que a prefeitura, juntamente com a Câmara e órgãos como o Secovi, que representam os interesses das corporações imobiliárias, estão fazendo tudo o que podem para derrubar essa liminar e seguir como se nada estivesse acontecendo. “A área que se vai poder construir em 2024 em relação ao que era anteriormente é de 11 milhões de metros quadrados de construção a mais do que o que já estava sendo permitido, que era 64 milhões de metros quadrados em 2016.” Para Raquel Rolnik, toda essa polêmica acaba por refletir o descontentamento de parte da população com o modo radical como a cidade vem se transformando. “É preciso rever muito, mas muito claramente, a forma através da qual está se pensando a transformação da cidade, que não tem nenhuma relação com paisagem, com geografia, com memória, com capacidade de suporte de infraestrutura, nada – é simplesmente um modelo genérico de concentração e adensamento vertical”, frisa.
Cidade para Todos
A coluna Cidade para Todos, com a professora Raquel Rolnik, vai ao ar quinzenalmente quinta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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