Inovação na USP: excelência em inovação que transforma o Brasil

Por Antonio C. Marques, coordenador do InovaUSP-SP, Luiz Henrique Catalani, vice-coordenador da Agência USP de Inovação, e Raul Gonzalez Lima, coordenador da Agência USP de Inovação

 Publicado: 10/03/2026 às 17:39
Antonio Carlos Marques – Foto: Arquivo pessoal
Luiz Catalani – Foto: Cecília Bastos/ USP Imagens
Raul Gonzalez Lima – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
A Universidade de São Paulo consolida-se não apenas como a maior instituição de ensino superior da América Latina, mas também como um dínamo de inovação, transformando pesquisas altamente qualificadas em soluções reais para a sociedade, impactando positivamente em áreas que vão desde as artes até a saúde pública.

Mas como se faz para mensurar a inovação produzida por uma universidade? A avaliação do desempenho inovador pode ser feita de várias formas, como se vê nos diversos rankings existentes. Por exemplo, o recém-publicado Ranking de Universidades da Folha (RUF), que mantém a USP na liderança geral, a considera na 3ª posição quando o assunto é Inovação, que constitui 4% da nota total de uma universidade. O RUF considera dois quesitos: “patentes depositadas”, que a USP lidera, e “artigos em colaboração com empresas”, em que aparece na 17ª posição. Não encontramos como esse índice é calculado, mas se for meramente “quantidade”, como está descrito, merece uma reflexão.

O Leiden Ranking 2025 revela a dimensão internacional da USP: dos 45.761 artigos publicados pela USP – 19ª colocação no mundo – 2.549 foram em parceria com empresas. Assim, a USP ocupa a 80ª posição global em colaboração com a indústria, líder no Brasil e única universidade ibero-latino-americana entre as 200 melhores neste indicador. Considerando o percentual de colaboração com a indústria em relação à produção total, a USP registra 5,6%, ficando atrás apenas dos 6,2% da PUC-RJ (134 trabalhos em colaboração de um total de 2.151 trabalhos produzidos).

Talvez o RUF tenha feito uma relação entre a quantidade da produção em colaboração com indústrias em relação ao número total de professores. Se for esse o caso, o que explicaria haver instituições bem menores à frente da USP, parece equivocado. A USP é enorme e diversa, com uma pesquisa que vai da gramática Tupi à eletrificação de veículos, e é claro que a universidade e sociedade se beneficiam dessa diversidade. Está claro que nem toda a pesquisa produzida (19º no mundo, como já dito) tenha que ser em colaboração ou integrada à indústria. A copiosa pesquisa básica e pura, a colaboração com governos e com o terceiro setor, entre outras, são predicados e virtudes da Universidade, não problemas e fraquezas.

Acreditamos que a verdadeira inovação transcende as métricas de publicação, e precisa refletir benefício à sociedade. A USP construiu um ecossistema sem paralelo no País: é sede de nove unidades Embrapii (maior número nacional), nove Centros de Pesquisa Aplicada (CPA), 14 Centros de Pesquisa, Difusão e Inovação (Cepid), 32 Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) – estes três últimos grupos financiados pela Fapesp –, totalizando 64 redes produtoras de inovação. Deve-se destacar este último grupo, onde a lógica da inovação ultrapassa a dimensão estritamente “tecnológica”, dando acesso ao desenvolvimento de inovações sociais e de políticas públicas. Exemplos de inovações recentes de grande impacto não faltam: do lançamento comercial do canabidiol de alta pureza – único produto brasileiro – à implantação da planta piloto de hidrogênio verde, passando pela terapia celular CAR-T contra certos tipos de câncer, a USP tem um portfólio considerável de inovações de impacto.

Esse ecossistema é complementado por quatro incubadoras de startups, dois parques tecnológicos – sendo um deles, em fase de implementação, destinado exclusivamente ao agronegócio – e milhares de empresas com DNA-USP®. Com isso, não surpreende que a USP tenha liderado o Ranking de Universidades Empreendedoras (RUE) em quatro de suas cinco edições, incluindo a de 2024. E, em um futuro próximo, teremos o Instituto Internacional de Inovação, I3, uma nova unidade do Campus Butantã destinada à integração com núcleos de inovação de pequenas e grandes empresas, de parceiros nacionais e internacionais.

As universidades brasileiras colaboram intensamente com o desenvolvimento nacional, não por capricho, mas porque é a sociedade brasileira, inserida na economia do conhecimento, que assim exige. O Marco Legal da Inovação de 2004 expressa essa demanda, amplificada por atores como a CNI e a MEI. A inovação brasileira – e, em particular, a da USP – merece ser adequadamente mensurada e acompanhada pois, segundo a World Intellectual Property Organization (WIPO), nossos ecossistemas de inovação figuram como raros pontos de destaque no cenário latino-americano, ao mapear os 100 maiores locais inovadores do mundo.

Que o RUF seja celebrado, portanto, mas que seu benefício se traduza em políticas públicas mais eficazes, ampliação de acesso à saúde, fortalecimento da economia, soberania tecnológica e democratização da educação. O impacto social da universidade se mede melhor por indicadores extramuros, conectados com os diferentes setores da sociedade. Esse é o debate que realmente importa, e que vale a pena aprofundar.

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