A miopia tem a ver com a quantidade de área verde ao redor das escolas

Estudo publicado na China mostra que há uma relação indireta, mas significativa, na quantidade e no acesso de crianças a áreas verdes próximas à escola e na ocorrência de miopia no grupo

 Publicado: 04/03/2026 às 7:21

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Um estudo prospectivo, conduzido na China, investiga como a facilidade de acesso a áreas verdes diminui a miopia em crianças, e é disso que o professor Eduardo Rocha trata em sua coluna de hoje (4). Pesquisadores utilizaram imagens de satélite de alta resolução para analisar a área e o acesso à vegetação ao redor de escolas. Os resultados revelaram que uma maior presença e continuidade de espaços naturais estão associadas a um risco significativamente menor de novos casos da doença. Antes de qualquer outra consideração, porém, o colunista explica que a miopia é uma condição ocular que diminui a visão para longe e que a prevalência dessa condição está crescendo, atribuída a hábitos urbanos, uso intenso de telas e atividades em ambientes fechados durante a infância e juventude. “Há estimativas de que, por volta de 2050, cerca de cinco bilhões de pessoas no mundo serão míopes e uma fração dessas pessoas terá outros problemas oculares que são mais frequentes em miopias mais altas”, diz Rocha. “A miopia tem, portanto, causas genéticas e ambientais, sendo mais frequente em descendentes de asiáticos e pessoas que vivem em centros urbanos. Apesar da miopia ser tratável e corrigível com óculos, lentes de contato e cirurgia, há muito esforço em pesquisa para buscar formas de prevenir ou reverter a miopia.”

Ainda de acordo com Rocha, muito tem sido pesquisado sobre as formas de continuar o avanço da modernidade, com telas, eletrônicos e outros hábitos de lazer, estudo e trabalho na vida das novas gerações e manter o número de pessoas com miopia baixo. “Entre as propostas que não tiveram êxito estavam dormir com a luz do quarto acesa, alguns remédios que foram tentados por via oral ou na forma de colírio e alguns tipos de lentes de óculos especiais ou de contato, que não foram capazes de prevenir ou só reduziram a progressão, em quantidade mínima ou pouco eficiente clinicamente. Isso sugere que fatores diretos como indiretos interferem e podem ter efeito somatório ou compensatório na formação de olhos míopes.”

De todo modo, o artigo acima mencionado mostrou que há uma relação indireta, mas significativa, na quantidade e no acesso de crianças a áreas verdes próximas à escola e na ocorrência de miopia no grupo. “Ou seja, crianças que frequentam escolas próximas de áreas com praças, parques e jardins e que possivelmente desfrutam no seu dia a dia desse privilégio para seu lazer, têm menos miopia. A explicação seria que a atenção voltada para longe em atividades externas diminui o esforço para ver de perto e reduz a miopia. Curiosamente, esse fator foi protetor independentemente de relações genéticas, de tempo de leitura e diante de telas e de tempo em atividade fora de casa. Esses achados sugerem que não se trata apenas de quanto tempo a pessoa fica em uma área verde, mas da qualidade da atividade, que pode compensar ou não os outros fatores que propiciam a miopia. Esses estudos de relações indiretas entre determinadas doenças e fatores ambientais ajudam a compreender a importância do ambiente e a formular hipóteses que podem ajudar a propor hábitos e melhorar ambientes públicos em busca de qualidade de vida para as pessoas. Quem diria que as antigas praças e jardins poderiam atuar ajudando a prevenir a miopia”, finaliza.


Fique de Olho
A coluna Fique de Olho, com o professor Eduardo Rocha, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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