Jornalista César Tralli ministra aula inaugural em parceria entre USP e TV Globo

Curso de extensão da ECA reúne estudantes, docentes e profissionais do mercado para debater os desafios do jornalismo contemporâneo

 Publicado: 03/03/2026 às 9:41     Atualizado: 04/03/2026 às 10:55
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Palco com telão ao fundo e duas pessoas sentadas em cadeiras na frente, sendo um homem e uma mulher
Jornalista César Tralli conversou com os estudantes a respeito dos desafios do jornalismo e comentou episódios marcantes de sua trajetória na profissão – Foto: Cely Correia

O Anfiteatro Camargo Guarnieri da USP foi palco na segunda-feira, dia 2 de março, da palestra O desafio de falar com o Brasil, ministrada pelo jornalista e apresentador do Jornal Nacional, César Tralli. O evento foi a aula inaugural do curso de extensão universitária Tendências do Jornalismo Contemporâneo, oferecido em uma parceria entre a Escola de Comunicações e Artes (ECA) e a TV Globo, por meio do projeto Academia LED Luz na Educação – Jornalismo Globo na Universidade. Ao longo de 13 semanas, 90 alunos do curso terão encontros com professores da ECA e profissionais da Globo sobre diversos assuntos, como eleições, TV 3.0, inteligência artificial, jornalismo local, relações entre publicidade e jornalismo, entre outros. 

Ao dar as boas-vindas aos presentes, a diretora da ECA, Clotilde Perez, saudou o trabalho conjunto e ressaltou a relevância do convidado para o jornalismo profissional brasileiro: “Esta aula inaugural marca uma parceria muito significativa entre a Escola de Comunicações e Artes e a TV Globo. A importância é grande porque conseguimos trazer benefícios tanto para os nossos alunos de graduação quanto para a pesquisa, já que todo mundo se beneficia com o desenvolvimento da capacidade reflexiva. Trata-se de uma iniciativa que reforça o compromisso da Universidade com uma formação conectada aos desafios contemporâneos da comunicação, baseada no diálogo entre o conhecimento acadêmico, a prática profissional e a responsabilidade social do jornalismo. Receber como convidado o jornalista César Tralli é motivo de grande honra, pois sua trajetória no jornalismo brasileiro representa o compromisso com a informação de qualidade, com a ética profissional e com o interesse público, valores fundamentais para a formação de novos comunicadores. A presença de um profissional com essa relevância fortalece o sentido desta colaboração e inspira nossos estudantes a compreenderem o papel central do jornalismo na democracia e na vida social”.

O pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária, Amâncio Jorge de Oliveira, ressaltou a importância do diálogo entre a Universidade e os diferentes atores da comunidade: “A atividade de extensão universitária nasce na Inglaterra, no século 19, com a ideia de externalizar o conhecimento para a sociedade. A proposta era potencializar o impacto desse conhecimento junto à população, e esse conceito vem evoluindo ao longo do tempo. No caso brasileiro, a Constituição de 1988 estabeleceu como indissociáveis o ensino, a pesquisa e a extensão universitária. Existem diferentes denominações para a extensão do ponto de vista internacional. Nos Estados Unidos, por exemplo, é muito comum o uso dos termos ‘engajamento público’ ou ‘engajamento civil’. Os nomes variam, mas a ideia é essencialmente a mesma: levar o conhecimento para fora da Universidade, para a sociedade e com a sociedade. Nesse contexto, vejo como uma iniciativa brilhante trazer o César Tralli para esta aula. Ele é um profissional com uma trajetória muito inspiradora e desejo que a vinda dele simbolize uma parceria muito duradoura com a Rede Globo. Parabéns à ECA e à USP por esta iniciativa, que aproxima a academia do mercado profissional”. 

Mulher fala de pé em um palco com telão ao fundo
Para a vice-reitora, Liedi Bernucci, é essencial que as universidades trabalhem em conjunto com governos, empresas privadas e sociedade civil organizada, no modelo conhecido como “quádrupla hélice” – Foto: Cely Correia

Para a vice-reitora Liedi Légi Bariani Bernucci, o encontro foi marcante na reafirmação da importância da comunicação e da união da academia com governos, empresas privadas e sociedade civil organizada: “Na Reitoria, temos dentro do nosso programa de gestão uma atenção especial à comunicação. E essa comunicação conta com vocês para nos ajudar a direcionar o que precisamos dizer à sociedade. A USP, sem dúvida, realiza pesquisa de excelência, desenvolve a educação de forma muito consistente, atua fortemente na cultura e na extensão, mas precisamos conversar mais com as pessoas. Não apenas porque são elas que nos financiam e permitem que possamos nos desenvolver, mas principalmente porque precisam compreender o papel da ciência, da formação de recursos humanos, da tecnologia e da inovação que produzimos aqui dentro. Por isso, a comunicação é essencial. Trazer a Globo para perto, trazer o César Tralli para dialogar conosco, mostra o quanto precisamos entender melhor como transmitir o que fazemos, para que a sociedade se orgulhe da Universidade, esteja junto conosco e nos apoie. Essa iniciativa da ECA, de promover uma proximidade tão profícua, dialoga com a ideia da hélice quádrupla: a Universidade e as instituições de pesquisa e ciência, o governo, a sociedade civil organizada e as empresas e indústrias. É essa hélice girando de forma sinérgica que permite uma transformação social mais efetiva, promovendo o bem-estar de todos e contribuindo para o fortalecimento da economia do nosso Estado e do nosso País, de modo que possamos reduzir as desigualdades existentes”, afirmou. 

O líder da Academia LED da Globo, Matheus Francisco, reafirmou o compromisso da empresa com a Universidade, comemorando as vantagens que ela traz para os envolvidos: “Em todas as empresas do Grupo Globo a educação é um pilar fundamental e faz parte dos nossos compromissos públicos dentro da agenda ESG. Temos o compromisso de fomentar e incentivar a educação no Brasil, e é por isso que estamos aqui hoje neste curso de extensão, fortalecendo esse relacionamento com a Universidade. Para nós, é muito importante viver esse momento de troca e atuar nessas disciplinas eletivas, que envolvem não apenas o jornalismo, mas também as áreas de tecnologia e negócios. Nosso objetivo é promover a troca, colocando as empresas em diálogo com as academias e os centros de pesquisa, para que todos cresçam juntos. Vocês ensinam para a gente, e nós compartilhamos o conhecimento que produzimos na Globo com vocês. É assim que construímos esse caminho”.

Trajetória e desafios

Plateia sentada em auditório grande prestando atenção
Cerca de 400 estudantes de comunicação participaram do encontro, ouvindo dicas, experiências e tirando dúvidas – Foto: Cely Correia

Na conversa com o público, César Tralli lembrou que também teve uma trajetória educacional em escolas públicas ou em instituições de qualidade, com bolsas de estudo, e incentivou os alunos do curso a valorizar a oportunidade de estar na USP: “Todos os dias, quando vocês estiverem vindo até aqui para suas aulas, não deixem de refletir o que significa estudar na USP. Esta é uma instituição repleta de talentos. Em quase 40 anos de profissão, já perdi as contas de quantas vezes vim até aqui para entrevistar especialistas dos mais variados assuntos. Então, é preciso que vocês tenham sempre orgulho e também defendam o nome desta instituição e vistam essa camisa com muita honra”.

Ele falou também sobre alguns dos desafios que aguardam a nova geração de jornalistas: “Hoje o jornalismo está muito amplo e abrangente, criando um contexto no qual conta muito a sua prontidão para o trabalho e a sua construção de repertório. O jornalismo não é uma profissão de glamour, como muitos pensam. Ao contrário, é uma construção diária, é uma busca pela evolução e é um contato com as ruas que jamais podemos perder”. 

Ao responder a uma pergunta da aluna da ECA, Giovanna Mafra, sobre o jornalismo como ponte entre a ciência e o público, Tralli foi enfático: “A maioria dos jornalistas hoje em dia é de generalistas, que precisam cobrir todo tipo de pauta. São raríssimos aqueles especializados em temas científicos, e é por isso que é essencial que pesquisadores e jornalistas estejam sempre próximos e em diálogo. Os cientistas precisam estar sempre presentes e cabe a nós tentar traduzir esse conhecimento da forma mais compreensível possível, para que a informação chegue de fato às pessoas e, inclusive, deixe menos espaço para fake news”. O jornalista lembrou um fato pessoal para comentar como a Universidade pública acaba demonstrando seu valor o tempo todo em situações cotidianas: “Eu tive uma irmã que nasceu com uma síndrome muito rara. Minha mãe buscou respostas por anos e foi um professor da Faculdade de Medicina da USP que conseguiu resolver o diagnóstico e atuou no tratamento dela por muito tempo”.

Confira neste link a reportagem do SP1 da TV Globo a respeito do evento.


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