Dormência nos pés é sintoma de alerta e pode indicar doenças como diabetes

Rodrigo Olmos alerta que a sensação pode ser passageira, mas também estar ligada a neuropatias, problemas vasculares ou doenças crônicas

 Publicado: 02/03/2026 às 11:49
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Imagem de uma pessoa, cujo rosto não se vê, tendo medida sua glicemia com o aparelho apropriado para isso e manipulado pelas mãos de um profissional de saúde, cujo rosto também não se vê
As neuropatias periféricas são problemas nos nervos periféricos e uma das principais causas é a diabetes mal controlada ao longo dos anos – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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Rodrigo Díaz Olmos – Foto: ResearchGate

A dormência e o formigamento nos pés não são doenças, mas sintomas que indicam que algo pode não estar funcionando bem no organismo. Segundo o médico Rodrigo Olmos, do Hospital Universitário e professor de clínica médica da Faculdade de Medicina da USP, muitas pessoas usam o termo “dormência” para descrever diferentes sensações, como perda de sensibilidade, formigamento, agulhadas, queimação ou até fraqueza nas pernas. Na maioria das vezes, trata-se de uma alteração na sensibilidade dos pés.

Existem diferentes tipos de dormência. As mais comuns estão relacionadas às neuropatias periféricas, que são problemas nos nervos periféricos. Uma das principais causas é a diabetes mal controlada ao longo dos anos. Nesses casos, além dos pés, as mãos também podem ser afetadas. A neuropatia costuma provocar uma dor em forma de queimação, descrita por muitos como uma sensação incômoda e persistente.

Há também situações transitórias, que não representam doença. Ficar muito tempo com a perna cruzada, por exemplo, pode comprimir vasos sanguíneos e causar dormência momentânea. Quando a posição é corrigida, a circulação volta ao normal e a sensação desaparece em poucos minutos.

Passageiras ou  persistentes

O especialista explica que as dormências podem ser divididas em dois grupos: “As associadas à postura, geralmente passageiras, e as persistentes, que podem indicar problemas mais sérios. Além da diabetes, doenças vasculares como arteriosclerose e insuficiência arterial também podem causar dormência. Nesses casos, é comum que haja dor intensa ao caminhar, diferente da dor em queimação típica da neuropatia.”

Em situações específicas, pode haver compressão de nervos, como na síndrome do túnel do tarso (no pé) ou do túnel do carpo (na mão), que às vezes exigem tratamento cirúrgico. Normalmente, esses quadros afetam apenas um lado do corpo. Outros fatores, como ansiedade e estresse, também podem provocar dormência transitória, que melhora com o controle emocional.

Doenças mais raras, como esclerose múltipla ou enfermidades autoimunes, também podem ter a dormência como sintoma. Além disso, condições como neuroma, geralmente associadas ao uso de sapatos apertados ou salto alto, podem comprimir nervos no pé e causar dor e formigamento.

A orientação é que a dormência deve ser encarada como um sinal de alerta, assim como a febre, explica o professor. “Não é uma doença em si, mas um sintoma. A possibilidade de cura depende da causa. Por isso, quando a sensação é frequente, persistente ou causa incômodo constante, é fundamental procurar avaliação médica para identificar o problema e iniciar o tratamento adequado.”


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