Soldados russos são metodicamente assassinados pelos próprios comandantes

Marilia Fiorillo comenta os relatos da “BBC” e do “The Guardian” que expõem execuções sumárias, torturas e “missões suicidas” impostas a recrutas de regiões remotas na guerra entre Rússia e Ucrânia

 Publicado: 27/02/2026 às 7:22
Por

Logo da Rádio USP

O jornal The Guardian e a BBC deram destaque, esses dias, para uma nova faceta da guerra Russia x Ucrania: soldados rasos russos são obrigados a enfrentar os ucranianos desarmados, mal-nutridos e enfraquecidos. E resistem. Tornou-se frequente a tentativa de fuga de muitos deles, que são capturados e executados imediatamente por seus comandantes. É o velho estilo Putin de governar: veneno (um deles extraído de um sapo brasileiro) para os opositores politicos mais graduados, tiro na nuca para os inúmeros jovens que se recusam a funcionar como bucha de canhão.

A maioria deles é recrutada em regiões remotas, não em cidades importantes como Moscou e Leningrado. Se já não tinham voz junto à opinião pública, agora são atirados à morte sem qualquer prurido. “Quem foge é baleado”, vários deles contaram à BBC que viram comandantes ordenarem a morte de companheiros de tropa à vista de todo o regimento.

“Eu os conhecia”, diz um dos entrevistados sobre os soldados executados. “Lembro de um deles gritando ‘não atire, eu faço qualquer coisa!'” Outro diz ter visto 20 corpos de companheiros soldados deitados em um poço após terem sido “zerados” por camaradas. O termo “zero” é gíria militar russa para executar os seus próprios.

No documentário The Zero Line: Inside Russia’s War, homens dão relatos detalhados sobre como foram torturados por se recusarem a participar de ataques que eles descrevem como quase missões suicidas. Tropas russas chamam esses ataques de “tempestades de carne”.


Conflito e Diálogo
A coluna Conflito e Diálogo, com a professora Marília Fiorillo, vai ao ar quinzenalmente sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.