Já é consenso que o exercício físico é importante para a saúde e para manter uma longevidade saudável. Mas os mecanismos por trás disso ainda são, em grande parte, desconhecidos. Também já se sabe que exercícios repetidos aumentam a força e a resistência muscular. Agora, um estudo publicado na revista Neuron mostrou que não só os músculos, mas também os neurônios são ativados, e isso explicaria porque treinos repetidos trazem benefícios.
Nessa pesquisa, os cientistas queriam saber o que acontece com o cérebro de camundongos treinados repetidamente em uma esteira. Para isso, eles focaram em uma região específica: o hipotálamo ventromedial, que regula o apetite e os níveis de açúcar. No hipotálamo, os pesquisadores se concentraram em um grupo de neurônios que produzem uma proteína chamada Steroidogenic Factor 1 (SF1), que regula, em parte, o metabolismo.
A escolha por investigar os neurônios veio após os resultados de um estudo que demonstrou que a deleção (mutação na qual uma parte do cromossomo ou uma sequência de DNA é excluída durante a replicação do DNA) do gene que codifica a SF1 havia prejudicado a resistência dos camundongos ao exercício. Os cientistas submeteram os camundongos a um treinamento na esteira por três semanas e analisaram o que acontecia no cérebro desses animais.
Para se aprofundarem ainda mais nos mecanismos do cérebro, eles usaram uma técnica chamada optogenética. Trata-se de uma abordagem que combina engenharia genética e óptica para controlar a atividade de neurônios específicos usando luz, com precisão de milissegundos. “Quando você corre, seus pulmões se expandem, seu batimento cardíaco torna-se mais eficiente e seus músculos se fortificam. O que não se sabia é que isso tudo é coordenado pelo cérebro”, detalha Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP. “E, de fato, já ouvi várias vezes maratonistas ou ultramaratonistas dizerem que, depois de um certo tempo, você corre com o cérebro. É ele que manda”, finaliza.
Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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