Oscilação nos preços de alimentos saudáveis diminui e pode mudar a alimentação do brasileiro

Com a inflação dos preços de alimentos in natura caindo e com os dos ultraprocessados aumentando, tendência é de mudança no panorama da alimentação do brasileiro

 Publicado: 04/03/2026 às 11:42
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Foto: gpointstudio/Freepik
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O preço dos alimentos, como de todas as mercadorias, está sujeito a mudanças, devido a inúmeros fatores, econômicos ou não. Durante o verão, por exemplo, as condições climáticas extremas, como chuvas torrenciais e calor intenso, impulsionadas pelas mudanças no planeta, impactam negativamente a produção de alimentos e quebram as safras. Esse e outros problemas impactam toda uma cadeia produtiva, chegando até o consumidor, dificultando a realização de suas compras. Entretanto, nos últimos anos, o cenário de oscilação de preços, que atingia com mais força os alimentos in natura, em comparação com os ultraprocessados, mudou, o que pode significar uma melhora na qualidade da alimentação da população.

Walter Belik – Foto: Lattes

Walter Belik, pesquisador da Cátedra Josué de Castro da Universidade de São Paulo, explica a variação de preços nos últimos tempos. “Nós tivemos uma influência muito pesada no preço da alimentação fora do domicílio e ela foi causada principalmente pelo custo dos serviços, ou seja, o pagamento de pessoal nos restaurantes, os fornecedores, contas de água, luz, aluguel. Mas o preço do alimento em si surpreendeu até certo ponto, visto que, no início do ano de 2025, os preços estavam puxando a inflação para cima. E, em 2026, nós começamos com uma inflação relativamente baixa e o preço do alimento também está abaixo da inflação. O IPCA, que é o índice de preços do consumidor, usado para observar tendências de inflação, em janeiro mostrou um IPCA de alimentos e bebidas de 0,23%, que está abaixo da média geral da inflação.”

Intervenções climáticas e oscilações

“Geralmente temos um aumento um pouco mais elevado da inflação dos alimentos em função dos problemas sazonais que enfrentamos no começo do ano. No verão, as chuvas são excessivas, assim como o calor em determinadas regiões, e isso faz o preço saltar. Alimentos como o tomate, alface e repolho têm um aumento expressivo nessas épocas, mas esse é um comportamento cíclico, então é previsível. Após isso diminui e temos um crescimento nos meses de inverno de laticínios e outros produtos alimentares que são influenciados pelo frio”, afirma o pesquisador.

Belik também comenta como os produtores absorvem essas oscilações do mercado. “É muito comum aumentos de preços quando cai a oferta, e no momento seguinte um incentivo à produção, isso faz com que a oferta aumente e o preço caia. No ano passado, por exemplo, tivemos uma grande oscilação, o preço começou muito alto e depois caiu constantemente, chegando até a ter deflação de importantes itens da alimentação.”

Mudança no panorama

Entretanto, recentemente, a inflação de alimentos in natura tem sido menor, e o preço dos ultraprocessados tem aumentado cada vez mais, o que gera uma importante mudança no panorama da alimentação do brasileiro. “Esse é um momento muito especial, garantindo melhores escolhas em termos de alimentação para o consumidor. Em 2025, os produtos in natura e minimamente processados tiveram um aumento muito baixo, muito próximo de zero, que foi de 0,32%. Em contrapartida, os ultraprocessados tiveram aumento de 6,39%, o que fez com que o consumidor encontrasse preços de alimentos frescos relativamente mais baratos do que os industrializados, contrariando um movimento que vinha acontecendo nos últimos anos, no qual os ultraprocessados caíam mais ou tinham aumentos menores do que os produtos in natura.”

“Neste ano, houve redução de preços de importantes alimentos naturais, como banana, limão, melancia e laranja-pera, muito embora nós tivéssemos eventos climáticos radicais de chuvas e aquecimento, que acabou elevando o preço de alguns outros produtos. Mas, de modo geral, a inflação dos alimentos não está pressionando a inflação geral. Isso contribui para que possamos trabalhar um pouco melhor essa ideia de mudança de dieta do consumidor”, finaliza Belik.

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira


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