Professoras da USP são vencedoras do 7º Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher

Nesta edição, a premiação anual organizada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) busca reconhecer trajetórias de mulheres que influenciaram a ciência no Brasil

 21/01/2026 - Publicado há 6 meses
Colagem de retratos de três mulheres brancas idosas sobre um fundo cinza claro
Fotos: Cecília Bastos/USP Imagens

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) anunciou nesta segunda-feira (19) as vencedoras e menções honrosas nas três categorias do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher. Em sua sétima edição, o Prêmio Carolina Bori reconhece as trajetórias de cientistas mulheres com contribuições importantes à ciência do País. Três professoras da USP figuram entre as homenageadas. São elas: Ana Mae Tavares Bastos Barbosa, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Luisa Lina Villa, da Faculdade de Medicina (FM) da USP, e Maria Arminda do Nascimento Arruda, vice-reitora da Universidade e docente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

O prêmio é realizado anualmente, alternando edições que celebram Mulheres Cientistas ou Meninas na Ciência. Esta edição foi dedicada às Mulheres Cientistas, homenageando pesquisadoras com trajetórias de destaque em três grandes áreas do conhecimento: Humanidades; Ciências Biológicas e da Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra. As indicações para o prêmio foram enviadas por 79 sociedades científicas afiliadas à SBPC.

Ana Mae Barbosa – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Professora Emérita da ECA e pioneira da arte-educação no Brasil, Ana Mae Barbosa é a vencedora desta edição na categoria Humanidades. Graduada em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (1960), fez mestrado em Art Education pelo então Southern Connecticut State College e doutorado em Educação Humanística pela Universidade de Boston (1978), entre idas e vindas entre o Brasil e os Estados Unidos. Assumiu o cargo de professora da ECA em 1974, tendo antes passado pela Escolinha de Arte da Universidade de Brasília (UnB) e pela Universidade Yale, onde lecionou Cultura Brasileira. Também foi diretora do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP.

Foi durante seu período à frente do MAC que a docente desenvolveu na prática e sistematizou a abordagem triangular. Inspirada na concepção libertária de educação de Paulo Freire, a abordagem triangular consiste em uma metodologia formada por três pilares indissociáveis: a leitura crítica da obra de arte, a contextualização histórica da obra e o fazer artístico do educando. Esses três pilares não seguem uma ordem fixa; relacionam-se a partir da mediação do educador em diálogo com os saberes, vivências e interesses dos educandos. Nos anos 1990, a abordagem triangular foi incorporada aos parâmetros curriculares nacionais do ensino fundamental e do ensino médio. Em 2025, a trajetória de Ana Mae foi tema de uma ocupação artística no Itaú Cultural, em São Paulo.

Luisa Lina Villa – Foto: Arquivo pessoal

Luisa Lina Villa é a vencedora da categoria Ciências Biológicas e da Saúde. A professora do Departamento de Radiologia e Oncologia da FM é referência internacional em pesquisas sobre o HPV, vírus causador do câncer de colo de útero. Suas pesquisas comprovaram a eficácia da vacina contra o HPV e identificaram a presença do vírus em outros tipos de câncer, inclusive masculinos. Graduada em Ciências Biológicas pela USP (1972) e doutora em Bioquímica também pela Universidade (1978), Luisa coordenou o INCT-HPV entre 2010 e 2017.

Atualmente, Luisa é chefe do Laboratório de Inovação em Câncer do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Nas últimas décadas, a docente recebeu prêmios diversos e figurou em ao menos uma lista de pesquisadores mais influentes da ciência mundial. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências e Comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Maria Arminda do Nascimento Arruda – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Já a professora Maria Arminda do Nascimento Arruda recebeu a menção honrosa na categoria Humanidades. Professora do Departamento de Sociologia da FFLCH, nesta semana ela está encerrando sua gestão como vice-reitora da USP. Ao longo de sua carreira, dedicou-se à investigação de temas como cultura, comunicação de massas, teoria sociológica e história social dos intelectuais, da literatura e das artes. Recebeu prêmios diversos, incluindo a menção honrosa na categoria Ensaios do Jabuti de 2002, com o livro Metrópole e Cultura – São Paulo no Meio do Século 20, e a Medalha Florestan Fernandes da Sociedade Brasileira de Sociologia, em 2025.

Entre as outras homenageadas nesta edição do Prêmio Carolina Bori, Iris Concepcion Linares de Torriani, da Universidade Estadual de Campinas, é vencedora na categoria Engenharias, Exatas e Ciências da Terra. Marilia Oliveira Fonseca Goulart, da Universidade Federal de Alagoas, e a ex-ministra da Saúde Nísia Verônica Trindade Lima, da Fundação Oswaldo Cruz, receberam menções honrosas nas áreas de Exatas e Ciências da Terra e de Ciências Biológicas e da Saúde, respectivamente.

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Segundo balanço da SBPC, 94 candidatas válidas concorreram nesta edição do Prêmio Carolina Bori, o que representou um crescimento de 68% nas indicações em comparação com a edição anterior na modalidade Mulheres Cientistas, realizada em 2023. O processo de indicação se encerrou em novembro.

Após as inscrições, as candidaturas foram analisadas por uma comissão julgadora formada por nove cientistas mulheres, de diversas instituições do País, que definiu uma vencedora e uma menção honrosa em cada grande área do conhecimento. Para isso foram considerados alguns critérios, como relevância e qualidade da trajetória; impacto científico, educacional ou social; e diversidade regional e institucional.

A cerimônia de entrega do 7ª Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher será realizada no dia 11 de fevereiro de 2026, no Centro MariAntonia da USP, em São Paulo.

*Com informações de Rafael Revadam, do Jornal da Ciência


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