
Em novembro de 2025, o Oceano Índico teve três grandes ciclones tropicais. Os eventos climáticos afetaram cidades e comunidades costeiras de países como Malásia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Índia, Filipinas e Sri Lanka. Na região, foram registradas mais de 1.800 mortes em decorrência dos eventos climáticos. Segundo a pesquisadora Ana Maria Pereira Nunes, do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e membro do Grupo de Estudos Climáticos, os ciclones se formam e se intensificam sobre os oceanos tropicais e dependem principalmente de temperaturas da superfície do mar elevadas e evaporação do oceano.
Os ciclones são um evento climático que atinge a região com regularidade. Ana Maria explica que, no Oceano Índico Sul, os ciclones acontecem entre fevereiro e maio. Já na parte Norte do Oceano, onde encontram-se os países atingidos, a ocorrência é entre agosto e novembro. “Ciclones tropicais, também chamados de furacão e tufão, são sistemas de baixa pressão que ocorrem preferencialmente nas regiões tropicais do planeta. São sistemas que se caracterizam pela presença de muitas nuvens ao redor de um núcleo sem nebulosidade, o chamado olho do furacão. Essas nuvens produzem muita chuva e fortes rajadas de vento durante o ciclo de vida”, detalha. Os fenômenos são resultado direto de um conjunto de fatores, entre eles estão “temperatura da superfície do mar acima do normal e anomalias nos ventos”.
Previsão e mitigação de danos

Os ciclones podem ser previstos a partir de técnicas meteorológicas. “Os centros meteorológicos especializados em ciclones tropicais executam modelos atmosféricos globais que preveem sistemas ciclônicos que afetam as condições do tempo ao longo do globo. Juntamente com os modelos, a maioria dos países na região tropical possui serviço de meteorologia especializado para acompanhar a validade dessas previsões através de comparações com observações e emitir informações sobre a trajetória e a intensidade prevista dos furacões.”
Mesmo com a previsão dos ciclones, os danos afetam constantemente não só a população dos locais, mas também outras partes da sociedade, como a agricultura. “Os principais impactos dos furacões são chuvas torrenciais e ventos muito fortes, causando inundações e destruição da infraestrutura construída pelo homem. Esses fenômenos não podem ser evitados, porém, as tragédias associadas a eles podem.”
Para prevenir e reduzir os impactos, Ana Maria ressalta a necessidade de infraestrutura e planejamento de Estado. “A forma de evitar desastres relacionados aos sistemas naturais é um sistema integrado entre previsão do tempo e estruturas públicas de manejar e gerenciar da melhor forma os meios para salvar pessoas em risco, como, por exemplo, a Defesa Civil, no caso do Brasil.”
*Sob supervisão de Paulo Capuzzo
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