Criado espaço para suporte humanizado a pacientes vulneráveis submetidos a transplante de órgãos do HC

Com apoio do HC e da FMUSP, a Casa de Apoio do Instituto Mais Transplantes oferece abrigo gratuito àqueles que necessitam de acompanhamento pré e pós-cirúrgico

 07/10/2025 - Publicado há 5 meses
Transplante de pulmão realizado em mesa de cirurgia, com o corpo do paciente iluminado por um foco de luz onde o cirurgião realiza as incisões, observado pelos assistentes; toda a equipe usa aventais azuis, máscara facial e toucas brancas
O Hospital das Clínicas da FMUS realiza mais de 200 transplantes de fígado por ano – Foto: Instituto Sklifosovsky/wikipedia
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Com 16 leitos dedicados a atender oito pacientes e seus acompanhantes, a Casa de Apoio do Instituto Mais Transplantes foi inaugurada no dia 26 de setembro, em Moema, na Rua Divino Salvador. Devido à necessidade de acompanhamento pré e pós-cirúrgico, pacientes em vulnerabilidade social, que realizem transplantes de fígado e órgãos do aparelho digestivo, agora podem ter hospedagem gratuita na casa de apoio

Wellington Andraus – Foto: Lattes

O professor Wellington Andraus, coordenador, médico e professor regente da Divisão de Transplantes de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, comenta a inauguração: “A casa surgiu do nosso dia a dia aqui do transplante. A gente se deparava com um problema grave social, pacientes de fora de São Paulo, de outras cidades, até de outros Estados, regiões distantes, muitos não têm um local de apoio para residir no antes e depois do transplante, que é um período necessário de ficar próximo do serviço com retornos frequentes. Isso surgiu desde 2015, então foram quase praticamente dez anos para viabilizar uma casa, recursos para adequar a casa, mobiliar, depois recursos humanos para começar a funcionar. Enfim, a gente conseguiu realizar esse sonho e já começamos a atender esses pacientes que ficam aí por um período limitado. Um período do perioperatório antes e depois da cirurgia na casa com um acompanhante”.

Recuperação e encaminhamento

O projeto recebeu apoio do Hospital das Clínicas, da Fundação Faculdade de Medicina e do Ministério da Saúde. Andraus ainda cita “doações privadas”. O professor também diz que a casa já tem o funcionamento garantido por um ano completo, mas que é necessário garantir a continuidade do apoio das instituições que já oferecem o suporte financeiro e de novas instituições que podem auxiliar com doações.

O encaminhamento ao alojamento da casa de apoio é feito por uma equipe de assistentes sociais e a permanência varia de acordo com cada caso. Andraus explica: “Varia um pouco de cada órgão que vai ser transplantado. Talvez o fígado a gente tenha pacientes muito mais graves com a questão da cirrose, outros um pouco menos graves, que têm outros problemas, como desenvolver um tumor no fígado. Também pacientes de intestino, que têm intestino curto e ficam com nutrição parenteral contínua, que vão se preparar para fazer o transplante. Esses pacientes, às vezes, requerem um tempo maior de permanência na casa ou até no hospital, no pós-transplante. Eles são um pouquinho mais complexos em termos de manejo de medicamentos, para evitar rejeição etc.”.

Transplantação

O primeiro transplante de fígado com doador vivo do mundo foi realizado em 1988 por uma equipe do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP no Brasil, liderada pelo médico Silvano Raia. Sobre o cenário contemporâneo, Andraus explica: “Hoje, nós fazemos o maior volume de transplantes de fígado do Brasil. Somados adulto e criança, a gente faz mais de 200 transplantes por ano, que é um número mundialmente muito relevante por uma única instituição. Só de adultos, fazemos em torno de 150 transplantes de fígado, e a nossa divisão faz também transplantes de pâncreas, transplantes de intestino isolado ou multivisceral, que é um intestino associado a outros órgãos, como fígado, estômago, duodeno, pâncreas. Além disso, em conjunto com a ginecologia obstetrícia, nós tivemos um projeto de pesquisa e fizemos também, em conjunto, um transplante mais ou menos novo, que é o de útero. A divisão, alguns anos atrás, foi a primeira do mundo usando um útero de doadora falecida”.

Sobre os avanços científicos e sociais, o professor completa: “Isso mostra o nosso pioneirismo e vanguarda, a importância da USP no cenário nacional, mantendo o nosso país na vanguarda e assistindo muitos pacientes que vêm transplantar pelo SUS aqui com a gente”.


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