
O conjunto de atividades que dependem diretamente dos recursos marinhos — conhecido como economia azul – já representa 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e, de forma direta, 1,07% dos empregos. Quando considerados os efeitos indiretos e os elos produtivos na cadeia de suprimentos, esse número sobe para 6,5% do PIB, envolvendo mais de 4,7 milhões de trabalhadores. Quem explica é Inácio Fernandes de Araújo Júnior, pós-doutorando e coautor do estudo realizado com o professor Eduardo Haddad da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP.
O levantamento identificou 280 municípios litorâneos brasileiros diretamente envolvidos com a economia do mar, mas sua cadeia de valor se estende muito além da costa. A construção de embarcações está no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, mas esses Estados consomem insumos e serviços, bens que são produzidos no Estado de São Paulo para construir essas embarcações lá no Rio. Por sua vez, o Estado de São Paulo consome máquinas e equipamentos que são produzidos em Minas Gerais, por exemplo. “A gente mapeia toda essa interconexão na cadeia de suprimentos”, exemplifica o pesquisador. O turismo também ilustra essa lógica: um visitante em Ubatuba consome produtos e serviços fornecidos por diversas regiões, inclusive do interior do País.
Extração de petróleo

Segundo o estudo, a extração de petróleo ainda é a atividade de maior peso, respondendo por 60% do impacto direto da economia azul. Em seguida, vêm o setor de defesa e o transporte marítimo, com 7% cada, além do turismo e da pesca. Apenas o turismo costeiro no Estado de São Paulo gerou cerca de 80 mil empregos diretos e movimentou R$ 8 bilhões em 2019.
Araújo alerta, no entanto, para a fragmentação da política marítima no Brasil: “No entanto, apesar do enorme potencial da economia azul, esse potencial ainda é pouco explorado. Existe uma grande fragmentação da política marítima no Brasil”. Para ele, há a necessidade de uma política nacional que reconheça a diversidade regional dessas atividades e a proposta do estudo é justamente fornecer subsídios técnicos para a formulação de políticas públicas mais eficazes e sustentáveis. “Não é pequena, a economia oceânica é muito relevante para a economia nacional e necessita de uma política bem formulada, isso que leva em consideração toda a diversidade de atividades praticadas, seja no litoral ou no interior, mas que estão diretamente interconectadas devido aos zelos produtivos na cadeia de suprimentos”, finaliza Araújo.
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