Hepatites virais: silenciosas e perigosas

Segundo Cássia Mendes Correa, quando não diagnosticadas e tratadas podem levar à cirrose, insuficiência hepática e ao câncer de fígado

 30/07/2025 - Publicado há 8 meses
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Ilustração do vírus da hepatite.
As hepatites podem evoluir de forma silenciosa para formas crônicas, permanecendo no organismo por anos sem sintomas – Ilustração do vírus da hepatite B – Imagem: Kateryna Kon/123RF
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As hepatites virais são inflamações no fígado causadas por diferentes vírus, sendo os tipos A, B, C, D (Delta) e E os principais. Segundo Cássia Mendes Correa, professora associada da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do Ambulatório de Hepatites Virais, os tipos A, B, C e Delta são os mais relevantes do ponto de vista de saúde pública no Brasil e no mundo, mas cada um tem sua forma de transmissão e gravidade.

Cássia Mendes Correa – Foto: Arquivo pessoal

Alerta silencioso

Os sintomas mais comuns da doença incluem febre, mal-estar e olhos amarelados — sinal clássico de icterícia. “Se você ou alguém da sua família apresentar esse quadro é importante considerar a hipótese de hepatite e procurar atendimento médico”, orienta a médica. Uma das maiores preocupações é que as hepatites, especialmente os tipos B e C, podem evoluir de forma silenciosa para formas crônicas, permanecendo no organismo por anos sem sintomas.

“Quando elas permanecem por mais tempo, por mais de seis meses, então a gente diz que a hepatite se tornou crônica. De forma geral, durante muitos e muitos anos, ela não causa sintomas importantes. Ela só vai se manifestar 20, 30 anos depois com as complicações crônicas da doença que são aquelas mais temidas.” Cássia explica que “a complicação mais temida é o carcinoma de fígado, um câncer de fígado que é causado pelas hepatites crônicas B, C e Delta”, com complicações como sangramento digestivo e acúmulo de líquido na barriga (ascite).

Diagnóstico e tratamento gratuito

A boa notícia é que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece exames, acompanhamento e tratamento gratuitos para todos os tipos de hepatite. “Vacinas para os tipos A e B também estão disponíveis na rede pública. Para a hepatite C, existe tratamento com alto índice de cura, também oferecido sem custo”, orienta a professora.

A testagem é simples e pode ser feita com uma gota de sangue nos chamados testes rápidos, disponíveis em unidades de saúde. Cássia diz que a recomendação é que “toda a população faça o exame pelo menos uma vez na vida — especialmente pessoas com mais de 40 anos, quem recebeu transfusões antes de 1993, tem tatuagens ou piercings, ou faz parte de grupos vulneráveis, como usuários de drogas injetáveis ou pessoas vivendo com HIV”.

Mês de combate e prevenção

Julho é o mês dedicado à luta contra as hepatites virais no Brasil, com ações de testagem e conscientização em diversas regiões. A campanha visa a reforçar a importância da testagem, tratamento e cura dessas doenças, que são silenciosas e podem causar sérios problemas de saúde, além de incentivar a adoção de medidas preventivas, como a vacinação (contra hepatites A e B), o uso de preservativos e a atenção à higiene pessoal e com alimentos.

O Brasil tem o objetivo de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, em consonância com as metas globais. Cássia reforça: “A hepatite tem cura. Mas para tratar é preciso primeiro diagnosticar. Cuide do seu fígado, faça o teste e compartilhe essa informação”.


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