Com fadas, aranhas e fraternidade, a Orquestra da USP apresenta concerto com regência do suíço Nicolas Rauss

Evento gratuito da série “Esculpir o Tempo” reúne obras de Fanny e Felix Mendelssohn, Saint-Saëns e Albert Roussel, com solo do violoncelista André Micheletti

 28/07/2025 - Publicado há 8 meses     Atualizado: 30/07/2025 às 15:07
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Público é convidado a doar agasalhos e cobertores - Arte: Isabelly Morato
Público é convidado a doar agasalhos e cobertores – Arte: Isabelly Morato

 

Com regência do maestro suíço Nicolas Rauss, a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) realiza no dia 2 de agosto, às 16h, no Centro Cultural Camargo Guarnieri, mais uma edição da série Esculpir o Tempo. Intitulado Um Banquete Fraterno, o concerto, que será gravado pela TV Cultura para o programa Clássicos, traz um repertório que transita entre o Romantismo alemão e o Simbolismo francês. A programação inclui obras de Fanny Mendelssohn, Saint-Saëns, Felix Mendelssohn e Albert Roussel, com destaque para o solo do violoncelista André Micheletti. O evento é gratuito, com reserva de ingressos pela plataforma AppTicket (clique aqui). A Osusp solicita a doação de agasalhos e cobertores que serão distribuídos para famílias em situação de vulnerabilidade social. 

O concerto tem início com Abertura em Dó Maior, da compositora e pianista alemã Fanny Mendelssohn Hensel (1805-1847), que por décadas teve suas obras atribuídas ao irmão, Felix Mendelssohn (1809-1847), devido aos preconceitos da época. Abertura em Dó Maior é a única obra que a compositora escreveu somente para orquestra, sendo suas outras peças escritas considerando o uso de vozes. Apesar disso, não lhe faltou aptidão ao escrevê-la, uma vez que é, ainda hoje, fortemente considerada na música orquestral.

Na sequência, a orquestra interpreta o Concerto para Violoncelo n. 1, Op. 33, de Saint-Saëns (1835-1921), compositor, organista, maestro e pianista francês da Era Romântica. A obra terá solos de André Micheletti, violoncelista com duplo doutorado em violoncelo e violoncelo barroco pela Indiana University. Micheletti é, ainda, professor na FFCLRP-USP, codirige a Orquestra Sinfônica de Piracicaba e lidera, desde 2011, o Festival Internacional de Música Erudita de Piracicaba. Premiado em diversos concursos, também se destaca como camerista, com atuações em países das Américas e Europa, e como intérprete de música brasileira e barroca.

Após o solo, mais um Mendelssohn é apresentado pela Osusp. Dessa vez, o irmão de Fanny, Felix Mendelssohn, com a Abertura para a Lenda da Bela Melusina, Op. 32. A obra, escrita para concerto, é baseada na lenda da fada Melusina, criatura encantada capaz de assumir a forma de serpente. Na história, a protagonista se casa com um homem sob a condição de que ele jamais a veja em sua forma mágica, mas, ao quebrar essa promessa, ele provoca sua partida definitiva. A peça de Mendelssohn traduz musicalmente esse enredo repleto de fantasia e emoção, combinando lirismo e tensão para evocar tanto a delicadeza da figura mítica quanto os momentos dramáticos de sua trajetória.

O poema sinfônico O Banquete da Aranha, do francês Albert Roussel (1869-1937), encerra o concerto. A peça, escrita para balé, retrata um ambiente cheio de insetos que, um a um, são fisgados pela teia da aranha. Entretanto, pouco antes de realizar seu banquete, a aracnídea tem sua vida tirada por um louva-a-deus. A obra segue todo o trajeto descrito e tem como desenlace o cortejo fúnebre da protagonista. 

Sobre Nicolas Rauss

Nascido em Genebra, Suíça, formou-se em Direção Orquestral e Coral no Conservatório de Música de sua cidade natal. Em 1987, conquistou projeção internacional ao vencer por unanimidade o 6º Concurso Internacional de Direção Orquestral Gino Marinuzzi, em San Remo.

Com sólida carreira internacional, dirigiu orquestras europeias como a Orchestre de la Suisse Romande, Orchestre de Chambre de Lausanne, Orchestre della Svizzera italiana e outras na Itália e Alemanha. Na América Latina, foi diretor artístico da Orquesta Clásica Usach (Chile), da Orquesta Filarmónica de Mendoza e da Orquesta Sinfónica Provincial de Rosario (Argentina). Em 2008, atuou como maestro convidado da Orquesta Sinfónica del Sodre, instituição que passou a dirigir artisticamente a partir de 2023.

Reconhecido por sua precisão técnica e profundidade interpretativa, Nicolas Rauss é atualmente diretor musical da Orquesta Sinfónica Nacional del Sodre, no Uruguai.

Serviço
Esculpir o Tempo VIII –  Um banquete fraterno

  • Data: 2 de agosto (sábado)
  • Horário: 16h  
  • Local: Centro Cultural Camargo Guarnieri – Rua do Anfiteatro, 109, Cidade Universitária – Butantã
  • Entrada gratuita, ingressos aqui
  • A Osusp recomenda a doação de agasalhos e cobertores que serão destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social

 

*Estagiária sob supervisão de Mayra Moraes


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