Veículos de comunicação tradicionais continuam perdendo espaço para as plataformas de redes sociais

O fenômeno aparece com bastante força nos EUA, onde as mídias sociais ultrapassaram a televisão no primeiro lugar como fonte de informação de notícias do público americano

 30/06/2025 - Publicado há 9 meses

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Um novo relatório do Instituto Reuters mostra que o público dos veículos de comunicação tradicionais continua em queda. Por outro lado, crescem as audiências dos criadores de conteúdo e a dependência das plataformas de redes sociais e de vídeo. Para o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, esse quadro apenas confirma uma tendência já comentada por ele em colunas anteriores. É uma tendência que aparece muito forte nos EUA, onde, pela primeira vez, desde que o instituto faz esse estudo anual sobre o estado do jornalismo no mundo, as mídias sociais, as plataformas de redes sociais ultrapassaram a televisão no primeiro lugar como fonte de informação de notícias do público americano – 54% das pessoas dizem que as plataformas de redes sociais são a primeira fonte, a mais importante fonte de informações que têm quando elas querem se informar sobre o que acontece na sociedade, no país ou no mundo. “Pela primeira vez também”, diz o colunista,  “o Instituto Reuters falou sobre o uso da inteligência artificial como fonte de informação noticiosa para o público. O relatório diz que o público permanece cético quanto ao uso da inteligência artificial e prefere – a maioria absoluta – uma supervisão humana, mas 15% entre os jovens, pessoas de menos de 25 anos, usam a inteligência artificial, principalmente o ChatGPT, como a sua principal fonte de informação noticiosa”. Segundo Lins da Silva, “isso é extremamente preocupante, porque não são fontes profissionais, não são fontes confiáveis e tendem a levar a desinformação com maior intensidade para o público do que os meios chamados tradicionais, ou os meios que não sejam, no caso da inteligência artificial, feitos por máquinas”.

A boa notícia, por outro lado, é que aumentou o número de assinantes da The Economist, de acordo com o balanço anual divulgado recentemente pela publicação, que anuncia ainda um aumento em seu lucro operativo. “O lucro aumentou 11% e chegou, no ano que terminou – eles contam lá de março a março -, com R$ 360 milhões, 48 milhões de libras esterlinas, como o seu lucro final. Principalmente, o que impressiona é que o número de assinaturas pagas cresceu 3%, em relação ao ano anterior, chegando a 1,25 milhão de assinantes. Os assinantes de revistas impressas continuam decaindo. Caíram 10% em relação ao ano passado e 21% em relação a dois anos, mas o número de assinantes digitais cresceu substantivamente. E uma coisa que também é interessante”, prossegue Lins da Silva, ” é que a Economist também está indo bem nas plataformas de redes sociais. Eles têm desde 2022 um canal no TikTok, eles utilizam o TikTok para divulgar as suas notícias, e os jovens, principalmente que usam o TikTok, estão frequentando a revista Economist em número cada vez maior”. Da mesma forma, o aplicativo da publicação também registrou um crescimento alto no número de frequentadores, “o que mostra um jornalismo de qualidade, e a Economist, sem dúvida nenhuma, é uma das publicações de maior qualidade que existem no mundo, não está decaindo tanto como parece, ou pelo menos algumas exceções, como a Economist e o New York Times, ainda mantêm um público respeitável”.


Horizontes do Jornalismo
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar quinzenalmente, segunda-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção  da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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